«As bibliotecas são como aeroportos. São lugares de viagem. Entramos numa biblioteca como quem está a ponto de partir . E nada é pequeno quando tem uma biblioteca».
As bibliotecas de Valter Hugo Mãe – Jornal de Letras nº 1112, maio de 2013
Agrupamento de Escolas Pioneiros da Aviação Portuguesa -
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quinta-feira, 18 de abril de 2024
quarta-feira, 17 de abril de 2024
#Diz Abril com uma canção (II)
#DizAbril com uma canção
#25deabril #50x2 #50xTodos
[Verso 1]
Oiço na rua "Revolução"
Soldados de espingarda e cravo na mão
Oiço na rua "Liberdade"
Morte à ditadura na flor da idade
Mas não sangram as ruas da nossa cidade
Nem se ouve um canhão
A renascer das cinzas eles estão
Um pé depois do outro a bater no chão
25 de abril de 74
Morte à censura, viva à liberdade
Que a noite foi escura e estamos cansados deste plantão
Quando a esmola é grande o pobre desconfia
Não acabe a primavera por morrer uma andorinha
Não quer ser lobo, não lhe vista a pеle
Um pássaro a voar, mais vale
Não quer sеr lobo, não lhe vista a pele
Um pássaro a voar, mais vale
[Refrão]
Esta é a madrugada que eu esperava
Sim, esta é a madrugada que eu esperava
Esta é a madrugada que eu esperava
Sim, esta é a madrugada que eu esperava
[Verso 2]
Saem para a rua em manifestação
O povo é a voz da nação
Viva à democracia, às eleições livres
Viva ao fim da guerra, aos finais felizes
Viva ao amor que beija as cicatrizes
É o fim da servidão
Viva a mulher e a igualdade
Viva ao futuro, que o povo é que sabe
O lápis azul já não pinta a verdade
Começa a revolução
A morte é boa conselheira
Mas nasceu torto, tarde ou nunca se endireita
O que arde cura, o que aperta segura
Mas não há fome que não dê fartura
Até as rãs mordiam se tivessem dentes
Gato escaldado não tem medo para sempre
Até as rãs mordiam se tivessem dentes
Gato escaldado não tem medo para sempre
[Refrão]
Esta é a madrugada que eu esperava
Sim, esta é a madrugada que eu esperava
Esta é a madrugada que eu esperava
Sim, esta é a madrugada que eu esperava
[Verso 3]
Uma desgraça nunca vem só
Mas quem ri por último ri melhor
48 voltas ao sol
Morre pela boca o peixe preso no anzol
E mais vale só que mal acompanhado
Mente vazia, oficina do diabo
Não há mal que sempre dure nem bem que não se acabe
Mas quem planta ventos colhe sempre tempestades
[Coro]
E fascismo nunca mais
(Fascismo nunca mais!)
Fascismo nunca mais
(Fascismo nunca mais!)
Fascismo nunca mais
(Fascismo nunca mais!)
Fascismo nunca mais
(Esta é a madrugada que eu esperava)
Fonte:
Genius, 12.04.2024. Acedido em https://genius.com/Barbara-tinoco-a-madrugada-que-eu-esperava-lyrics
#Diz Abril com uma canção (I)
#DizAbril com uma canção
#25deabril #50x2 #50xTodos
Já não preciso de autorização para viajar
Passaporte já não diz que a casa é o meu lugar
E posso abrir todas as contas que’o meu salário der
Se houver dinheiro não importa
se sou homem ou mulher
E o contraceptivo já não pede a sua a licença
Nascer mulher é uma bênção, não uma sentença
E só vou dormir com quem quiser, e se me der vontade
A maior empresa que há na vida é a liberdade
E eu não quero a tua proteção, quero o teu respeito
Quero fazer junto lado a lado, e fazer bem feito
E a quem perdeu, a quem lutou, a quem rasgou o manto
Vai um abraço infinito por nos darem tanto
Já não preciso de autorização pra me levantar
E gosto ainda mais do meu domingo quando vou votar
Já não vou à missa nem confesso, que pequei de mais
É que eu vim cheia de sonhos, e os sonhos são arsenais
E eu não quero a tua proteção, quero o teu respeito
Quero fazer junto lado a lado, e fazer bem feito
E a quem perdeu, a quem lutou, a quem rasgou o manto
Vai um abraço infinito por nos darem tanto
Fonte:
Expresso.Blitz, de 17.04.2024. Acedido em https://expresso.pt/blitz/2024-04-17-nascer-mulher-e-uma-bencao-nao-uma-sentenca-ana-bacalhau-agradece-as-mulheres-do-25-de-abril-com-cancao-escrita-por-a-garota-nao-ccdfc6d4
quinta-feira, 21 de março de 2024
Celebre a poesia!
domingo, 31 de dezembro de 2023
Feliz 2024!
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,
os irreparáveis uivos
do lobo, na solidão.
O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus. . .
Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras espreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo.
e de copo na mão
esperas amanhecer.
O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de Kant e da poesia,
todos eles. .. e nenhum resolve.
Surge a manhã de um novo ano.
As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.
quinta-feira, 14 de setembro de 2023
Natália Correia 100 anos | Podcast
quarta-feira, 9 de agosto de 2023
Cesariny 100
quarta-feira, 17 de maio de 2023
Poesia com... Isaac Jaló, Solange Pacífico e Maria Vilalobos
... e algumas imagens:
sábado, 6 de maio de 2023
quarta-feira, 19 de abril de 2023
Sessão de poesia para os alunos dos cursos noturnos
domingo, 2 de abril de 2023
IBBY 2023 | Sou um livro, lê-me
Eu sou um livro.
Tu és um livro.
Somos todos livros.
A minha alma é a história que conto.
Cada livro conta a sua própria história.
Podemos parecer bem diferentes –
alguns grandes, outros pequenos,
alguns coloridos, outros a preto e branco,
alguns com poucas páginas, outros com muitas.
Podemos dizer coisas semelhantes ou completamente diferentes,
mas essa é a nossa beleza.
Seria chato ser tudo igual.
Cada um de nós é único.
E cada um de nós tem o direito de ser respeitado,
de ser lido sem preconceito,
de ter espaço na tua biblioteca.
Tu podes ter opiniões sobre mim.
Tu podes optar por questionar ou comentar o que leste.
Tu podes colocar-me de volta na biblioteca
ou segurar-me perto e viajar comigo por um longo caminho.
Mas nunca deixes alguém deitar-me fora
ou mandar-me para outra estante.
Nunca peças a minha destruição, nem permitas que alguém o faça.
E se um livro vier de outra estante,
porque alguém ou algo o afastou,
criar espaço.
Cabe ao teu lado.
Tenta sentir como se sente.
Compreende-o. Proteje-o.
Tu podes estar no seu lugar amanhã.
Porque tu também és um livro.
Todos nós somos livros.
Vamos, diz alto para que todos possam ouvi-lo.
"Sou um livro, lê-me."
Vagelis Iliopoulus
Tradução de Ana Castro a partir do inglês
terça-feira, 21 de março de 2023
Dia Mundial da Poesia | Um poema de Saúl Dias
Que horas são? O meu relógio está parado,
Há quanto tempo!…
Que pena o meu relógio estar parado
E eu não poder marcar esta hora extraordinária!
Hora em que o sonho ascende, lento, muito lento,
Hora som de violino a expirar… Hora vária,
Hora sombra alongada de convento…
Hora feita de nostalgia
Dos degredados…
Hora dos abandonados
E dos que o tédio abate sem cessar…
Hora dos que nunca tiveram alegria,
Hora dos que cismam noite e dia,
Hora dos que morrem sem amar…
Hora em que os doentes de corpo e alma,
Pedem ao Senhor para os sarar…
Hora de febre e de calma,
Hora em que morre o sol e nasce o luar…
Hora em que os pinheiros pela encosta acima,
São monges a rezar…
Hora irmã da caridade
Que dá remédio aos que o não têm…
Hora saudade…
Hora dos Pedro Sem…
Hora dos que choram por não ter vivido,
Hora dos que vivem a chorar alguém…
Hora dos que têm um sonho águia mas… ai!
Águia sem asas para voar…
Hora dos que não têm mãe nem pai
E dos que não têm um berço pra embalar…
Hora dos que passam por este mundo,
De olhos fechados, a sonhar…
Hora de sonhos… A minha hora
– ‘Stertor’s de sol, vagidos de luar –
Mas… ai! a lua lá vem agora…
– Senhora lua, minha senhora,
Mais um minuto para a minha hora,
Mais um minuto para sonhar…
Saul Dias (1902-1983)
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023
Um ano de guerra na Ucrânia | "O mal" de Arthur Rimbaud
O Mal
Enquanto esse cuspir vermelho da metralha
Silva no céu azul o dia inteiro, e logo,
Verdes ou rubros, junto ao Rei que os achincalha,
Tombam os batalhões em massa sob o fogo;
Enquanto a insânia horrenda arde num fogaréu
Cem mil homens e os deixa a fumegar, demente,
– Pobres mortos! na relva, ao sol do estio, em teu
Seio, Natura, ó tu que os criaste santamente! –
– Existe um Deus, que ri nas toalhas dos altares
Num cálice dourado, entre incensos, e nesse
Tranquilo acalentar de hossanas adormece;
E acorda quando as mães, morrendo de pesares,
Choram de angústia, sob o negro xaile imenso,
E lhe dão uma moeda, amarrada no lenço!
Arthur Rimbaud (1854-1891)
[Tradução de Ivo Barroso]
terça-feira, 14 de fevereiro de 2023
Sempre o amor...
Amar
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal,
senão rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e
uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.
(Carlos Drummond de Andrade, 1902-1987)
O poema dito por Paulo Autran:
Feliz Dia dos Namorados!
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023
Poesia com... Solange Pacífico e Isaac Jaló
Numa iniciativa da Biblioteca Escolar, os escritores Solange Pacífico e Isaac Jaló visitaram a Escola Secundária da Amadora com a finalidade de incentivar o gosto pela poesia, através de propostas estéticas mais próximas da realidade e sensibilidade dos alunos.
No evento, ocorrido a 30 de janeiro em duas sessões, participaram mais de uma centena de alunos de nove turmas de 10.º, 11.º e 12.º anos e os respetivos professores de Português. Os convidados falaram sobre os seus percursos de vida e de como a poesia foi ganhando terreno, apoderando-se das suas vozes.
Solange Pacífico descreve a sua poesia como um ciclo interminável de sentidos, expressando emoções, memórias e pensamentos que experienciou desde cedo e que materializou no papel. Agora, numa fase de maturidade, a poeta e ilustradora, Solange acredita que a poesia nasce do âmago devastado do eu e que, na superação dos escombros, se encontra a verdadeira voz do poeta. Para ela, a poesia em ato “está em todo o lado e pode mudar o mundo”.
Isaac Jaló descobriu a poesia através do RAP – “Rhythm and Poetry¨ (“Ritmo e Poesia¨) – e desde então tornou-se fã deste género literário, fascinado pelas palavras. Afirma-se como um indivíduo que, através da arte, busca um mundo melhor.
Declamaram poemas da sua autoria, mostrando que a poesia pode ter estilo, forma e conteúdo diversos e deram a conhecer o Projeto “POEMACTO”, projeto idealizado por Solange Pacífico, que nasceu da procura de um espaço físico e comunitário, no qual se sentisse confortável para declamar os seus poemas.
“POEMACTO” é a expressão da luta pela poesia em Portugal, da necessidade de impulsionar o gosto pela escrita, de libertar sensibilidades diferentes, sem idade, cor, género, servindo de incentivo para quem quer dar os primeiros passos no mundo dos poemas, mesmo sem ambicionar ser poeta.
O intuito de juntar quem quisesse partilhar poesia e de incentivar os poetas emergentes a perderem o medo do palco, concretizou-se em 17 de Fevereiro de 2020, num espaço da Bica.
Atualmente o encontro realiza-se às sextas-feiras, num outro espaço lisboeta, situado na Graça. Trata-se de um encontro que nada tem de institucional que, desde 2020, tem vindo a reunir jovens poetas, amantes de poesia e simples curiosos, que ali podem fazer a sua estreia (como já sucedeu), com apresentação e leitura de poemas.
Em 2021, Solange Pacífico conseguiu unir 16 jovens poetas da família “POEMACTO” e editar uma antologia poética ilustrada com o título “Bicho Mudo Viro Bicho”.
Antes de finalizar este encontro, a audiência foi desafiada a escrever uma palavra num post-it. A proposta cativou e entusiasmou todos os participantes, que aderiram prontamente. Recolhidos os post-it, Isaac Jaló e Solange Pacífico recriaram num poema coletivo, fruto da imaginação e da espontaneidade, as palavras partilhadas. Na sessão da tarde, esta recriação teve a colaboração de alguns alunos.
São eles:
Estava na praia
a memória em movimento
… de luto.
Havia tristeza e o mar
brindava-me num azul profundo.
O céu, ao longe, em mistura tumultuosa
de laranja forte
espelhava a complexidade
dos meus sentimentos.
Pensei no José
– high player, so much drip –
verdadeira tempestade.
Perdida, pedi ajuda ao Tiago Bento
deu-me uma bússola
a favor do amor
e contra o preconceito.
Surge a resposta num espectro de luz.
A vida conduz-nos a um novo rumo,
supera a solidão
e encontra nas palavras POESIA.
TEXTO POÉTICO CONJUNTO
SESSÃO DA MANHÃ DO DIA 30-01-2023
Composição (revista) de Isaac Jaló e Solange Pacífico
com as trinta e sete palavras dos alunos.
Ano/Turma: 10º 12, 11º 09, 12º 09, 12º 11 e 12º 12
Eu estou de luto
– metamorfose – na solidão procuro a luz.
Decido ir para casa, busco a felicidade
e encontro desilusão!
Sei, no fundo de mim,
só a luz devolverá a minha paixão.
O mesmo ciúme, a traição e foge-me a vida
à frente dos olhos. Luto contra a desilusão.
A vitória não está garantida… o mundo
continua a girar e sei
em breve o frio irá passar.
Sinto solidão, mal respiro e ainda me bate
o coração? Que fruto a saudade de ti traz!
Desprezada, indesejada. Há medo e gelo ‘em bleh’!
A amizade, talvez,
leal e sem falsidade, me salve.
Vulnerável ao erro, ao meu e ao teu,
como me conserto? Bebo, danço,
pulo, rodo, dançando me embriago. Sou
arlequim, diabo, Mefistófeles desnorteado!
Sem a transparência do amor
quem pode ser? Caio triste
na angústia de alguém abandonado.
O peito trespassado, narciso ferido,
não desiste e rodopiará até Neptuno!
TEXTO POÉTICO CONJUNTO
SESSÃO DA TARDE DO DIA 30-01-2023
Composição (revista) de Isaac Jaló, Solange Pacífico e alunos.
Com base em quarenta e nove palavras de alunos e professores.
Ano/Turma: 10º 10, 10º 14, 11º 06, 12º 08
Aqui fica o nosso agradecimento a Solange Pacífico e a Isaac Jaló pela disponibilidade, pela mensagem que transmitiram, pela nova forma de abordar a poesia. Sem limites à criação!
Por tudo isto desejamos a ambos sucesso e a continuação de um trabalho profícuo. Ficamos à espera da publicação de mais trabalhos.
Eis algumas imagens deste encontro:
quinta-feira, 26 de janeiro de 2023
Poesia com... Isaac Jaló e Solange Pacífico
quinta-feira, 19 de janeiro de 2023
Eugénio de Andrade | Centenário
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