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segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Os factos e as lendas da vida e obra de Luís Vaz de Camões | Podcast


#Camões500






Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho convidaram Carlos Maria Bobone, crítico literário e autor do livro recentemente publicado “Camões, vida e obra”, para uma conversa em torno deste personagem fundamental da História de Portugal.

Nesta conversa são abordados temas como: 
  • o que será lenda, o que é provável, e o que pode comprovar-se sobre a vida do poeta? 
  • Será que o foco da obra épica "Os Lusíadas" é a História dos feitos dos portugueses e seus antepassados? 
  • Qual a importância da obra de Camões para a cultura portuguesa? 
  • Como foram os seus últimos anos, será que morreu pobre, amargurado e angustiado com o futuro de Portugal?

O podcast integra-se na rúbrica do Expresso "A história repete-se" que, através de um diálogo descontraído, quer suscitar curiosidade pelo passado e construir pontes com o presente. 

Todas as semanas Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho partem de um ponto que pode levar a muitos outros...

segunda-feira, 17 de junho de 2024

À conversa com … João Pedro George na BMFPS

O sociólogo, crítico literário, escritor, tradutor, ghost writer e professor universitário português João Pedro George é o próximo convidado da iniciativa À Conversa com …, que terá lugar no Auditório Rogério Rodrigues da Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos, no dia 20 de junho (quinta-feira), pelas 18h30.

Com a moderação de Hélder Gomes.

Destinatários: Público em geral.

Participação gratuita.

Não é necessária inscrição prévia.

Sobre | João Pedro George

João Pedro George nasceu em Lourenço Marques, em 13 de fevereiro de 1972. Licenciou-se e doutorou-se em Sociologia, na Universidade Nova de Lisboa, onde também foi professor (1998-2014). Em 2023, concluiu um pós-doutoramento em História, subordinado ao tema «Descolonização e Democratização em Portugal: O Caso dos Retornados».

É tradutor (de Pierre Bourdieu, Jack Goody, Quentin Skinner, Javier Cercas, etc.) e editor de algumas obras de autores portugueses (Ana Cássia Rebelo e Luiz Pacheco). Publicou, entre outros, O Meio Literário Português: Prémios Literários, Escritores e Acontecimentos (1960-1999) (2002), Puta Que os Pariu!: A Biografia de Luiz Pacheco (2011), O Que é Um Escritor Maldito?: Estudo de Sociologia da Literatura (2013), Chatear o Camões: Inquérito à Vida Cultural Portuguesa (2021), O Super-Camões: Biografia de Fernando Pessoa (2022), O Império às Costas: Retornados, Racismo e Pós-Colonialismo (2023) ou Viajar na Maionese (2023).

Prepara atualmente a biografia do poeta Herberto Helder.

Fonte:
Wook. João Pedro George. Disponível em https://www.wook.pt/autor/joao-pedro-george/3661108

segunda-feira, 6 de maio de 2024

Livro do Mês - Maio de 2024

Considerando o recente falecimento do escritor Paul Auster (30.04.2024) elegemos este mês uma das suas obras mais emblemática - A trilogia de Nova Iorque, composta por três narrativas intituladas Cidade de Vidro, Fantasmas e Quarto Fechado. São três fascinantes histórias de mistério, centradas no submundo de Nova Iorque, em que o leitor, tal como os personagens, é envolvido pelo enredo, pelo ambiente misterioso e pelo puzzle forjado, em que o autor é mestre incontestado.



Sobre o autor:

Paul Auster nasceu em New Jersey em 1947. Licenciou-se em 1970 na Universidade de Columbia e viveu durante quatro anos em França. A sua proximidade à literatura francesa marcou-o para sempre. Admirador confesso de André Breton, Paul Éluard, Stéphane Mallarmé, Sartre e Blanchot, alguns dos quais traduziu para a língua inglesa.
Além destes autores, Paul Auster refere ainda como suas influências Dostoiévski, Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald, Faulkner, Kafka, Hölderlin, Samuel Beckett e Marcel Proust.
Considerado um nome maior da literatura contemporânea e autor de culto, foi galardoado com o Prémio Príncipe das Astúrias de Literatura 2006, nomeado Comendador da Ordem das Artes e das Letras de França em 2007 e foi membro da Academia Americana de Artes e Letras e da Academia Americana de Artes e Ciências. A sua obra encontra-se traduzida em mais de quarenta línguas.

quarta-feira, 10 de abril de 2024

Livro do Mês - Abril de 2024

Elegemos no mês em que se celebra o quinquagésimo aniversário da Revolução de 25 de Abril de 1974 um livro que evoca esse momento histórico único e repleto de esperança, recriando também o que foi a ilusão revolucionária, a desilusão de muitos dos participantes e o árduo caminho para uma Democracia. Trata-se de "Os memoráveis : o romance", de Lídia Jorge.


Sobre a autora:

Romancista, contista e autora de uma peça de teatro, Lídia Guerreiro Jorge nasceu em 1946, no Algarve. Licenciada em Filologia Românica, foi professora liceal em Lisboa e em África onde viveu os anos mais conturbados da Guerra Colonial. Foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social. 
Na sua obra é uma preocupação central o tema da mulher e da sua solidão como, por exemplo, em Notícia da Cidade Silvestre (1984) e A costa dos murmúrios (1988). O dia dos prodigíos (1979), outro romance de relevo, encerra uma grande capacidade inventiva, retratando o marasmo e a desadaptação de uma pequena aldeia algarvia. O vento assobiando nas gruas (2002) é mais um romance da autora e aborda a relação entre uma mulher branca com um homem africano e o seu comportamento perante uma sociedade de contrastes. Em 2022, a escritora publicou Misericórdia, uma reflexão sobre a humanidade e uma homenagem à sua mãe, Maria dos Remédios, falecida durante a pandemia de Covid-19.
Os seus livros têm-lhe merecido variadíssimos prémios e estão traduzidos para diversas línguas.

terça-feira, 19 de março de 2024

O essencial sobre José Saramago | Ebook

Título: José Saramago
Autores: Carlos Reis, Sara Grünhagen
Coleção: O essencial sobre...; n.º 152
Publicação: Lisboa, Imprensa Nacional, imp. 2023
N. pág.: 224, (4) p.


Ao manter a missão de promover a cultura portuguesa e universal e apoiar a democratização do acesso à cultura, a Imprensa Nacional, mais uma vez, edita obras essenciais.

Deste vez trata-se de "O essencial sobre José Saramago", com acesso também através da imagem.

Sinopse
«Aquilo que neste livro se entende como essencial em José Saramago corresponde à sua específica identidade como escritor, com a singularidade e com as propriedades que o diferenciam, nos seus fundamentos e manifestações. Mas isso não é tudo. No autor de Memorial do Convento afirma-se também uma condição de cidadão e de homem político, pensando o seu tempo e os fenómenos sociais e culturais que o conformam. Para o que aqui importa, isso é igualmente essencial em Saramago, até porque aquela condição de cidadão não é estranha às obras literárias com as quais ela interage, em termos muito expressivos.»
In Contracapa

terça-feira, 12 de março de 2024

A rede de escritores do sexo feminino

Tendo em consideração, embora com atraso, a comemoração do Dia Internacional da Mulher divulgamos o mapa desenhado pela Biblioteca Barbican que representa, em forma de rede, as mulheres escritoras mais populares por género literário.

segunda-feira, 4 de março de 2024

Livro do Mês - Março de 2024

No mês da celebração do Dia Internacional da Mulher recordamos a escritora norte-americana Lucia Berlin, que em vida não obteve o merecido reconhecimento pela sua obra. Sugerimos a leitura da coletânea de contos intitulada "Manual para mulheres de limpeza", que reúne o melhor que produziu.

"Com um estilo muito próprio, Lucia Berlin faz eco da sua própria experiência - tão rica quanto turbulenta - e cria verdadeiros milagres a partir da vida de todos os dias.

As suas histórias são pedaços de vidas convulsas. Histórias de mulheres como ela, que riem, choram, amam, bebem, vivem e sobrevivem. Histórias de mães e filhas, casamentos fracassados e gravidezes precoces. Histórias de emigração, riqueza e pobreza, solidão, amor e violência. Seja em salões de cabeleireiro, lavandarias, consultórios de dentistas ou colégios de freiras, nestas páginas acontece o inesperado. Testemunham-se os pequenos milagres e tragédias da vida, que Lucia Berlin trata por vezes com humor, por vezes com melancolia, mas sempre com comovente empatia e extraordinária vivacidade, como se as personagens e os lugares - extraordinariamente reais - saltassem da página".
(texto da contracapa do livro)



Sobre a autora:

Lucia Berlin nasceu em 1936, no Alasca. Publicou os seus primeiros contos aos 24 anos em várias publicações, incluindo The Noble Savage, revista literária dirigida pelo escritor Saul Bellow. Escreveu de forma esporádica até à década de oitenta, altura em que decidiu publicar o primeiro livro de contos, Angels Laundromat. As suas histórias estão intimamente ligadas às suas próprias recordações: a infância em comunidades mineiras do interior do continente americano, a adolescência sofisticada em Santiago do Chile, a mudança constante de casa, os três casamentos falhados, o alcoolismo, ou os variadíssimos empregos que teve para criar os quatro filhos: enfermeira, telefonista, mulher de limpeza e professora de escrita criativa. Na década de 90, foi promovida a professora associada da Universidade de Colorado Boulder.
Morreu em 2004 no dia do seu aniversário, na Califórnia, para onde se mudara poucos anos antes para viver perto dos filhos. Ao longo da vida, Lucia Berlin publicou seis livros de contos.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Livro do Mês - Fevereiro de 2024

A proposta de leitura deste mês está intimamente relacionada com a palestra que irá realizar-se no próximo dia 8 de Fevereiro.

Assim a biblioteca escolar elegeu como leitura o livro de Marina Palácio intitulado “O tratado do silêncio”.





Sobre a autora:

Nasceu em Lisboa em 1971. Poeta, naturalista (aprendiz) e amante de livros, lobos, pássaros, árvores, ventos e de silêncio. Ilustradora, autora de banda desenhada, realizadora de cinema de animação e artista-educadora das «Oficinas de Leitura e Criatividade - Educação pelo Livro, Arte e Natureza» (desde 2009). Criou a editora “O Lobo e o Vento”- edições para leituras poéticas, naturalistas/selvagens/silvestres e sensíveis!, para desenvolver os seus projectos literários e gráficos. Esta comunicação poética que estabelece ao longo dos anos com os seres vivos, que lhe permite descobrir histórias da fauna, flora e... (continua)

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Clube de leitura com Cláudia Lucas Chéu


No próximo dia 8 de Fevereiro (quinta-feira), a Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos promove mais um Clube de Leitura de Ficção, desta vez, com Cláudia Lucas Chéu.

Esta iniciativa agendada para a primeira quinta-feira do mês, realiza-se às 18H30, no auditório Rogério Rodrigues.

Na primeira sessão o livro selecionado é "Natureza urbana", de Joana Bértholo. 

A participação é gratuita e destinada ao público em geral.

Aceita o convite e desafia-te a ler!

Cláudia Lucas Chéu (1978)

Poeta, dramaturga e argumentista. Frequentou o curso de Línguas e Literaturas Modernas (FCSH) e concluiu o curso de Formação de Atores (ESTC).

Tem publicados os textos para cena Poltrona – monólogo para uma mulher; Glória ou como Penélope Morreu de Tédio; Europa, Ich Liebe Dich; Violência – fetiche do homem bom; Círculo Onanista; Bank, Bank, You´re Dead, pelas edições Bicho-do-Mato/Teatro Nacional D. Maria II; A Cabeça Muda, pela Cama de Gato Edições; Veneno (Coleção Curtas da Nova Dramaturgia — Memória), Edições Guilhotina, 2015.

Em prosa poética, publicou o livro Nojo (2014), (não) edições. E em poesia, o livro Trespasse, Edições Guilhotina, 2014; Pornographia (poesia), Editora Labirinto, 2016. Em 2017, foi publicado o seu livro Ratazanas (poesia), pela Selo Demónio Negro, em S. Paulo (Brasil). Publicou, em 2018, o seu primeiro romance Aqueles Que Vão Morrer e posteriormente A mulher-bala e outros contos, Editora Labirinto; e Beber Pela Garrafa (poesia) e Confissão pela Companhia das Ilhas. Lecionou Escrita e Dramaturgia na Escola Superior de Educação de Lisboa. É professora da Universidade de Évora e da Escola Superior de Comunicação Social.


Em Fevereiro, na Bedeteca, também terá início um novo clube de leitura dedicado a novelas gráficas e direcionado a um público jovem-adulto. Cada sessão terá um dinamizador diferente tornando a experiência única para os seus participantes. 

A primeira sessão será conduzida por Elga Fontes, no próximo dia 17 de fevereiro, pelas 11H00.

Elga Fontes

Elga Fontes, tradutora e revisora de texto, com apenas 27 anos tem liderado o mundo dos bookfluencers nas redes sociais portuguesas.

A sua jornada com o Quem Me Lera, uma plataforma online desenvolvida em 2019, marca não só o seu amor por trocadilhos mas também a sua vontade de criar um espaço mais inclusivo e diverso para outros leitores em Portugal.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

À conversa com … a escritora Dulce Maria Cardoso na BMFPS


A escritora Dulce Maria Cardoso é a próxima convidada da iniciativa À Conversa com …, que terá lugar no Auditório Rogério Rodrigues da Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos, no dia 18 de janeiro (quinta-feira), pelas 18h30.

Com a moderação de Maria João Costa.

Destinatários: Público em geral.

Participação gratuita. 

Não é necessária inscrição prévia.

Sobre | Dulce Maria Cardoso

Dulce Maria Cardoso publicou os romances Eliete (2018, livro do ano, entre outros, no Público, Expresso e no JL, Prémio Oceanos e finalista do Prémio Femina), O Retorno (2011, Prémio Especial da Crítica e livro do ano dos jornais Público e Expresso), O Chão dos Pardais (2009, Prémio PEN Clube Português e Prémio Ciranda), Os Meus Sentimentos (2005, Prémio da União Europeia para a Literatura) e Campo de Sangue (2001, Prémio Acontece, escrito na sequência de uma Bolsa de Criação Literária atribuída pelo Ministério da Cultura).

Os seus romances estão traduzidos em várias línguas e publicados em mais de duas dezenas de países. A tradução inglesa de O Retorno recebeu, em 2016, o PEN Translates Award. Publicou contos em revistas e jornais, a maioria dos quais reunida nas antologias Até Nós (2008) e Tudo São Histórias de Amor (2013). Alguns deles fazem parte de várias antologias estrangeiras, e «Anjos por dentro» foi incluído na antologia Best European Fiction 2012, da Dalkey Archive. Em 2017, foram publicados os textos Rosas, escritos no âmbito da estada em Lisboa de Anne Teresa De Keersmaeker, quando a coreógrafa foi a Artista na Cidade. Criou, ainda, a personagem Lôá, a menina-Deus, para uma série da RTP2. A obra de Dulce Maria Cardoso é estudada em universidades de vários países, fazendo parte de programas curriculares, e tem sido objecto de várias teses académicas, bem como adaptada a cinema, teatro e televisão. A autora tem participado em vários festivais de prestígio internacional. Em 2012, recebeu do Estado francês a condecoração de Cavaleira da Ordem das Artes e Letras. Assina, na Visão, a coluna «Autobiografia não autorizada» (crónicas publicadas em livro, em 2021) e é comentadora na estação televisiva SIC, no programa Original é a Cultura.

Fonte:
Câmara Municipal da Amadora. Acedido em 13.01.2024 em https://www.cm-amadora.pt/pt/component/vikevents/?view=event&itid=2354

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Celebrar Maria Archer (1899-1982)


04.01.1899-04.01.2024

 
125 anos





Romancista e dramaturga, autora de uma ampla obra literária e jornalística. Mulher progressista, de pensamento muito avançado na geração a que pertenceu, a sua escrita abordava temáticas polémicas e tabus da condição feminina (1). Nas décadas de 1930 a 1960, produziu livros, crónicas, peças de teatro e literatura infantil; proferiu palestras, conferências; participou em programas radiofónicos, trabalhou para vários jornais em Portugal, África e Brasil. Maria Archer sofreu pressões políticas, teve obras censuradas, perdeu as condições de subsistência, foi silenciada e, por fim, condicionada ao exílio, que a manteve afastada do seu país durante mais de duas décadas. Foi uma precursora da participação da mulher na oposição ao salazarismo. 

Como antifascista interveio na Oposição à Ditadura, quer no MUD (1945), quer nas campanhas eleitorais de 1949 e 1958. Perseguida pela PIDE, exilou-se no Brasil e continuou a sua actividade literária e a acção política contra o regime. Dali só conseguiu regressar a Portugal em 1979 e, sem meios mínimos de subsistência, veio a ser internada num lar de pobres sem família, em Lisboa. Considerada uma escritora esquecida durante muitas décadas, vem sendo alvo de homenagens, recentemente, e as suas obras, parcialmente reeditadas, despertam o interesse de vários pesquisadores. Em 1948 Maria Archer escreveu: «A minha obra tem sido norteada pelo princípio vital de rebater o preconceito arcaico da inferioridade das mulheres. A chamada oposição pode contar com as mais nobres energias da minha pena de escritora, da minha voz de conferencista, e mesmo com o meu voto de cidadã» (2) A sua invulgar liberdade de espírito, associada a uma personalidade de forte carácter, que caminha determinada e independente, sem ceder a constrangimentos impostos pelo regime e pela sociedade, acabaram por condicioná-la, já doente, nos últimos anos de vida.


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1. Maria Emília Archer Eyrolles Baltazar Moreira, conhecida como Maria Archer nasceu em Almodôvar, em 1899 e faleceu num asilo, em Lisboa, a 23 de Janeiro de 1982. Era filha de João Baltazar Moreira Júnior, funcionário do Banco Nacional Ultramarino, e de sua mulher, Cipriana Archer Eyrolles (1878-1949), ambos naturais do distrito de Beja. Mudou-se para Moçambique com os pais e seus cinco irmãos, em 1910. Só terminou a escola primária aos 16 anos (por iniciativa própria), tendo para isso que insistir com seus pais, por acharem desnecessária a sua instrução, pelo que podemos considerá-la uma autodidata. A família voltou para Portugal em 1914, mas dois anos depois estava novamente em África, desta vez na Guiné-Bissau. Em 1921, regressada a Portugal, Maria Archer casa-se em Faro com o bancário Alberto Teixeira Passos, celebrando a união numa cerimónia religiosa. Após o matrimónio, o jovem casal fixa residência na Ilha do Ibo, província de Cabo Delgado, Moçambique. Cinco anos mais tarde, após a queda da I República e a crise subsequente, o marido perde o emprego e o casal muda-se para Faro e posteriormente para Vila Real, terra natal de Alberto Teixeira Passos. Em 1931, o casal divorcia-se e Maria Archer foi morar em Lisboa, de onde, por falta de meios de subsistência, se viu forçada a partir para Luanda, ficando a viver com os pais. Iniciou então a sua carreira literária com a obra Três mulheres, em coautoria com Quartim Graça (Luanda, 1935). 


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2. Anos mais tarde voltou a Lisboa, e aí começou então um período de intensa atividade literária. Nessa fase, priorizou temáticas sobre África, merecendo destaque o livro Viagem à roda de África (1938), com o qual recebeu o prémio Maria Amália Vaz de Carvalho, seguido de outras obras na Coleção Cadernos Coloniais (1936 e 1938). A partir de 1938, com a obra Ida e volta duma caixa de cigarros, Maria Archer iniciou uma nova etapa de inovações temáticas, com destaque para as questões da condição feminina. Aborda assuntos polémicos e tabus, tais como: violência doméstica, sexualidade feminina, virgindade, honra, aborto, separação, trabalho e prostituição, entre outros. Os seus livros tiveram então várias edições com boa recepção e aceitação do público. Eram inovadores e provocadores, retratavam a condição e o quotidiano femininos, criticavam práticas vigentes, perversidade das relações conjugais e falsas moralidades. Sua narrativa contemplava personagens femininas combativas, independentes e sedutoras, posicionadas entre o consentido e o proibido. Em 1938, Ida e volta duma caixa de cigarros foi qualificado pelos periódicos (de cariz fascista) Voz e Novidades como “pornográfico”. O Serviço de Censura apreendeu e proibiu a obra sob a alegação de que, com seu “caracter acentuadamente erótico, a autora compraz-se na volúpia do pormenor sensual, que parece ser o único objectivo”. Apesar dos recursos interpostos (1939 e 1944), a censura manteve a decisão afirmando “que se julga de conveniência pública fundada principalmente na intenção de preservar leitores de formação incorrupta ou imperfeita de leituras que seriam perniciosas”. No caso do romance autobiográfico Aristocratas (1945), a autora entrou em confronto com a família, que se viu representada no texto e, em 1946, a irmã da escritora encaminhou, para a Direção dos Serviços de Censura, o pedido de apreensão da obra. Com o recrudescimento político e moral do regime da Ditadura, a obra de Archer é considerada “inadequada” e ela passa a ser seguida de perto pela PIDE. Em 1947, a autora cai novamente nas garras da censura com o livro Casa sem pão, que foi apreendido. Os despachos da Direção dos Serviços de Censura, assinados pelo capitão Rodrigues de Carvalho, indicavam que a obra tinha um “grave inconveniente moral”. Maria Archer reafirmava que seus escritos eram norteados pelo questionar da condição de discriminação e submissão das mulheres, mas a sua abordagem, temáticas e a descrição narrativa enfrentavam, na verdade, as concepções vigentes dos papéis atribuídos aos géneros, marcados pelos padrões ultra conservadores e moralistas do Estado Novo. Por isso, os seus livros foram identificados como ousados e acintosos, sendo a escritora considerada pelos mecanismos censórios como “incómoda” (3). 


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3. Em finais da década de 1930, Maria Archer toma posição contra o regime e está presente em iniciativas políticas da Oposição, nomeadamente ligadas à Seara Nova, em que se destaca por ser uma das raras mulheres em acções públicas. A partir de 1945, assinala-se a sua presença em círculos literários, culturais e políticos, com críticas ao Estado Novo, e filia-se no Movimento de Unidade Democrática (MUD), organização de oposição ao regime fascista de Salazar. Em 1949, apoiou o candidato de oposição à presidência, Norton de Matos. Em Março de 1953, credenciada pelo jornal República, Maria Archer assistiu ao julgamento do opositor ao regime Henrique Galvão (respeitante a uma conspiração que Galvão organizara para derrubar o governo), fez anotações dos depoimentos, entrevistou o réu, advogados e o próprio o juiz, evocando a sua intenção de escrever um livro sobre a questão. Devido a essa participação, passou a ser vigiada e foi interrogada pela PIDE, a sua casa foi invadida por agentes da polícia e as suas anotações sobre o julgamento foram apreendidas. Não tardou a denunciar o ocorrido no artigo “Um caso inédito de perseguição do pensamento”, publicado na República, em Outubro de 1953. As pressões iriam ampliar-se, com ela a reclamar das hostilidades de uma sociedade conservadora, do endurecimento do regime, da perseguição da PIDE e da censura (pela interdição dos seus livros). Por fim, receando uma possível prisão e sem condições de prosseguir as suas atividades, decide exilar-se.


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4. Sem condições de viver, em Portugal, da sua produção intelectual, refugia-se no Brasil, onde chega em Julho de 1955. Um ano depois, em entrevista ao Diário de Notícias, de 1956, Maria Archer denunciou as perseguições a que foi submetida em Portugal, considerando-se “amordaçada pela censura”. Depois, à semelhança dos outros portugueses exilados em São Paulo, leva a cabo oposição ao regime salazarista, tendo a escrita como arma de luta (4), mas além disso participa ativamente em ações políticas, em várias frentes. Manteve produção de livros, crónicas, artigos, ensaios, palestras, conferências e participações radiofónicas. Os seus escritos e actuações centravam-se sobretudo na denúncia/oposição ao regime salazarista e nas questões femininas. Colaborou nos jornais: O Estado de S. Paulo (no Suplemento Literatura e Arte, mas também de forma mais expressiva e constante destaca-se a sua participação no Suplemento Feminino), na Semana Portuguesa. No jornal Portugal Democrático (regularmente de 1956 a 63), aborda temáticas políticas, com destaque para as denúncias sobre a censura e a falta de liberdade de expressão; apontando o desconhecimento e o ocultar da censura vigente nos países ibéricos, particularmente, em Portugal – deixando o seu testemunho pessoal (dois dos seus livros de ficção apreendidos pela polícia política) – bem como as consequências da censura ao processo criativo e seus malefícios para a literatura portuguesa (5). E colaborava na Revista Municipal de Lisboa (1939-1973). Alternou entre a literatura de temática africana e as obras de oposição à ditadura portuguesa. Também se encontra colaboração da sua autoria na revista Portugal Colonial (1931-1937) e na revista luso-brasileira Atlântico. 

Nos seus escritos do exílio, Maria Archer assumia um discurso de acusação, buscando conscientizar os leitores sobre a real situação e as atrocidades cometidas pelo governo salazarista. Nos artigos “Cai sobre nós esta vergonha, mulheres" (de 1958 e 1959), ela comentava a falta de apoio feminino nas lutas de oposição ao regime, apesar de apontar a existência de exceções, e clamava por maior adesão de esposas, filhas e mães na resistência ao salazarismo. As questões que envolviam as mulheres portuguesas estiveram sempre presentes nas lutas de Maria Archer: por exemplo, na conferência “Presença da mulher na paisagem social portuguesa”(1960). Em 1963, Maria Archer fundou a filial da União das Mulheres Portuguesas (UMP), da qual foi eleita presidente, sendo a iniciativa noticiada no Portugal Democrático. Também no “Ato Público de Solidariedade às Presas Políticas Portuguesas” (1964), onde expôs a situação das mulheres encarceradas na fortaleza de Caxias. Esteve sob a investigação do DEOPS (Departamento Estadual de Ordem Política e Social, de São Paulo), sendo elaborados relatórios da sua intensa militância política (6).


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5. Depois do 25 de Abril ainda permaneceu no Brasil. A doença e o avanço da idade condicionaram-lhe muito o regresso. No seu exílio, Maria Archer buscou viver do seu ofício e, na década de 1970, os seus ganhos eram já insuficientes para custear os tratamentos de saúde. Em 1973, queixara-se à família das dificuldades que enfrentava e pedira que solicitassem uma autorização para o seu retorno a Portugal, mas só conseguiu voltar em Abril de 1979, já com 80 anos e saúde muito abalada. 

Voltou para Portugal a 26 de abril de 1979, tendo sido internada num asilo, um lar de idosos sem família nem meios de sustento, denominado Mansão de Santa Maria de Marvila, em Lisboa, onde passou os seus últimos três anos de vida. Faleceu aos 83 anos de idade, a 23 de Janeiro de 1982, sem deixar descendência. Encontra-se sepultada no Cemitério do Alto de São João, em Lisboa.


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6. Obra publicada
Frequentou apenas a escola primária e foi como autodidata que adquiriu ampla cultura, tornando-se escritora profissional, tendo actividade como jornalista e publicando uma imensidão de obras, que transitam por diferentes campos do conhecimento, como história, geografia, etnografia, sociologia e antropologia. A sua escrita (num estilo agradável e envolvente), procurava instruir, debater, informar, defender ideias e instigar o debate. 

  • Três mulheres (com Pinto Quartim Graça) - Luanda, 1935
  • África selvagem - Lisboa, Guimarães & lda, 1935
  • Sertanejos - Lisboa, Editorial Cosmos, 1936
  • Singularidades de um país distante - Lisboa, Editorial Cosmos, 1936
  • Ninho de bárbaros - Lisboa,Editorial Cosmos, 1936
  • Angola filme - Lisboa, Editorial Cosmos,1937
  • Ida e volta duma caixa de cigarros - Lisboa, Editorial O Século, 1938
  • Viagem à roda de África : romance de aventuras infantis, Lisboa, Editorial O Século, 1938
  • Colónias piscatórias em Angola - Lisboa, Cosmos, 1938
  • Caleidoscópio africano - Lisboa, Edições Cosmos, 1938
  • Há dois ladrões sem cadastro - Lisboa, Editora Argo, 1940
  • Roteiro do mundo português - Lisboa, Edições Cosmos, Lisboa, 1940
  • Fauno sovina - Lisboa, Livraria Portugália, 1941
  • Memórias da linha de Cascais - com Branca de Gonta Colaço, Lisboa, parceria António Maria Pereira, 1943
  • Os Parques infantis, Lisboa - Associação Nacional dos Parques Infantis, 1943
  • Ela é apenas mulher - com António Maria Pereira, Lisboa, 1944
  • Aristocratas - Lisboa, Editorial Aviz, 1945
  • Eu e elas, apontamentos de romancista - Lisboa, Editorial Aviz, 1945
  • A Morte veio de madrugada - Coimbra, Coimbra Editora Lda, 1946
  • Casa sem pão - Lisboa, Empresa Contemporânea de Edições, 1947
  • Há-de haver uma lei - Lisboa, Edição da Autora, 1949
  • O Mal não está em nós - Porto, Livraria Simões Lopes, 1950
  • Filosofia duma mulher moderna - Porto, Livraria Simões Lopes, 1950
  • Bato às portas da vida - Lisboa, Edições SIT, 1951
  • Nada lhe será perdoado - Lisboa, Edições SIT, 1953
  • A primeira vítima do Diabo - Lisboa, Edições SIT, 1954
  • Terras onde se fala português - Rio de Janeiro, Ed. Casa do Estudante do Brasil, 1957
  • Os Últimos dias do fascismo português - S. Paulo, Editora Liberdade e Cultura, 1959
  • África sem luz - São Paulo, Clube do Livro, 1962
  • Brasil, fronteira da África - São Paulo, Felman-Rêgo, 1963
  • Herança lusíada - Lisboa, Edições Sousa e Costa, s.d.

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Teatro
  • Alfacinha - comédia em 1 ato, 1949
  • Isto que chamam Amor - drama em um ato
  • Numa casa abandonada - drama em um ato
  • O Poder do dinheiro - comédia em 3 atos
  • O leilão - drama em 3 atos

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Notas:
(1)Tais como: violência doméstica, sexualidade feminina, virgindade, honra, aborto, separação, trabalho da mulher e prostituição.
(2) O Sol, Setembro 1948.
(3)«Tudo o que Maria Archer dizia era proibido. Tudo o que ela escrevia, portanto, era assustador. A desvirginização, o aborto, o prazer sexual das mulheres, a violência masculina. O trabalho escravo que as mulheres então executavam nas suas próprias casas. A violação diária na cama do casal. A passividade ou revolta contra tudo isto. A prostituição a que tantas raparigas eram obrigadas ou apenas empurradas, por uma sociedade hipócrita, que em seguida a condenava» [Maria Teresa Horta, Prefácio. In: ARCHER, Maria. Ela é apenas mulher]
(4) A colónia de exilados em São Paulo nas décadas de 1950/60 integrava comunistas, socialistas, anarquistas, liberais republicanos e até dissidentes do próprio regime que convergiam numa plataforma unificadora de contestação ao regime salazarista e se uniam em ações de oposição, actuando pela via da Imprensa. Foi o caso do grupo que fundou o jornal Portugal Democrático editado entre 1956 e 1977. Este periódico era o jornal da Oposição editado no exterior, de maior circulação, tinha a colaboração de intelectuais, escritores, e jornalistas, e contou sempre com Maria Archer, em várias matérias.
(5) No artigo “A censura à imprensa e ao livro”, em Outubro de 1956, Maria Archer lembrava: “Meus livros foram apreendidos sem a mínima justificação do acto e sem sequer me ser dada resposta aos pedidos que fiz para que essa explicação me fosse fornecida. [...] a simples existência da censura destrói uma geração literária. [...] A nossa situação é tão dura e dolorosa que o livro chega a ser apreendido em casa, ainda em original inacabado, em cima da secretaria, como me aconteceu”
(6) Participou em várias ações e em acontecimentos políticos, nomeadamente: Comité dos Intelectuais e Artistas Portugueses Pró-Liberdade de Expressão (1958), Conferência Sul-Americana Pró-Anistia para os Presos e Exilados Políticos da Espanha e Portugal (1960), II Conferência Sul-Americana Pró-Anistia para os Presos e Exilados Políticos da Espanha e Portugal (Montevidéu/1961), Encontro Estadual de Solidariedade a Cuba (integrando a mesa, 1963), Debate “42 anos de fascismo em Portugal” (PUC-SP, finais de 1968). No Ato Público em Solidariedade dos Povos de Portugal e Espanha (1962, fez parte da mesa)

Biografia da autoria de Helena Pato. 


Fontes:
- BATISTA, Elizabeth (2007). Entre a literatura e a imprensa : percursos de Maria Archer no Brasil [Tese de Doutoramento]. S. Paulo: Universidade de S. Paulo. 213 p. Disponível em https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8156/tde-13022008-103921/publico/TESE_ELISABETH_BATISTA.pdf
- MATOS, Maria Izilda Santos de (2021), «A escrita como experiência de luta e resistência: Maria Archer». [“Trajetória de vida e produção de Archer em Portugal, em particular as ações de censura às suas obras; atuação e obras produzidas nos anos de exílio em São Paulo (1955-1979). Tem como fontes e referências: a documentação da PIDE, o acervo da Torre do Tombo e da Fundação Mário Soares, do Deops/SP (Departamento Estadual de Ordem Política e Social), textos literários, cartas, fotografias, entrevistas, crónicas, imprensa, escritos de Maria Archer no exílio”] ArtCultura, v. 23, n.º 42, jan-jun. 2021, p.154-174. Disponível em https://seer.ufu.br/index.php/artcultura/article/view/61857.
- WIKIPEDIA. Maria Archer. Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Archer

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Livro do Mês | Janeiro 2024

No mês em que se recorda as vítimas do Holocausto e tendo em consideração o lema “Recordar o Holocausto para que não aconteça outra vez” a biblioteca escolar propõe como leitura o livro autobiográfico de Clara Kramer intitulado Clara: a menina que sobreviveu ao Holocausto.



Cerca de 60 anos depois de ser libertada, Clara Schwarz Kramer, com a colaboração de Stephen Glantz, decide escrever a sua história no livro que agora divulgamos e que é baseado no diário que a própria escreveu, aos 15 anos, quando se encontrava escondida no bunker.

“Um dia, do nada, a mamã olhou para mim e disse:
- Clara, vais escrever um diário.
Eu fiquei espantada.
- Para quê? Eles vão matar-nos, de qualquer maneira.
- Se nos matarem, alguém encontrará o diário e ficarão a saber aquilo por que passámos.
(…)
Mas assim que comecei a escrever, converti-me à ideia. Seria um registo. Era algo para eu fazer todos os dias, algo com um objetivo. Era uma forma de contra-atacar.”


Aqui fica uma breve referência a esta autora:

Clara Kramer nascida em 1927 vivia com a sua família (o pai, Meir, a mãe, Salka, a irmã mais nova, Mania, o avô Dzadzio e a avó Babcia) e pertencia a uma comunidade de aproximadamente cinco mil judeus em Zolkiew, na Polónia, antes da Segunda Guerra Mundial. No final da guerra, ela e os pais encontravam-se entre as menos de sessenta pessoas que conseguiram escapar com vida. Juntamente com outros sobreviventes, Clara fundou o Centro de Recursos do Holocausto, na Universidade Kean, que sensibiliza anualmente cerca de 1200 professores para a importância da preservação da memória do Holocausto. A sua história está também a ser adaptada para o cinema. Clara faleceu em setembro de 2018, com 91 anos.

O depoimento:

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Livro do Mês | Dezembro 2023

Tendo em atenção que se cumpre este mês o centenário de nascimento de Urbano Tavares Rodrigues a equipa da biblioteca escolar elege como livro do mês o livro "Os insubmissos", obra que em muito revela sobre a resistência de Urbano Tavares Rodrigues, escritor insubmisso, que como militante político, opôs-se ao regime salazarista.



Sobre o autor:

Urbano Tavares Rodrigues nasceu na cidade de Lisboa, em 6 de Dezembro de 1923, filho do escritor Urbano da Palma Rodrigues, de uma família de grandes proprietários agrícolas. Passou a infância e a adolescência no Alentejo, perto de Moura, o que em muito influenciou a sua vida e obra. 
Ficcionista, investigador e crítico literário, licenciou-se em Letras com uma tese intitulada Manuel Teixeira Gomes: Introdução à sua obra (1950), tendo regressado por várias vezes aos estudos sobre aquele autor, nomeadamente na sua dissertação de doutoramento, Manuel Teixeira Gomes: o discurso do desejo. 

sábado, 9 de dezembro de 2023

Leitura encenadas com … a escritora e ativista Gisela Casimiro na BMFPS



A Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos (BMFPS) promoverá, no dia 14 de dezembro (quinta-feira), entre as 19h30 e as 20h30, no Auditório Rogério Rodrigues, a iniciativa Leituras Encenadas com a ativista e escritora Gisela Casimiro.

Participação gratuita. Não é necessária inscrição prévia.

Sobre | Gisela Casimiro

Gisela Casimiro, é uma ativista, escritora, poeta, tradutora, curadora e artista portuguesa. Os seus textos estão traduzidos para turco, mandarim, alemão, espanhol e inglês. Estudou Línguas, Literaturas e Culturas na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Fez parte da associação antirracista e feminista, o INMUNE - Instituto da Mulher Negra em Portugal, criada por Joacine Katar Moreira, e é membro da UNA - União Negra das Artes.


Fonte:

À conversa com … a escritora Teolinda Gersão na BMFPS



No próximo dia 14 de dezembro, quinta-feira, às 18h30, a Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos (BMFPS) promove mais uma iniciativa “À conversa com …”, desta vez com a escritora Teolinda Gersão e que contará com a moderação da jornalista Maria João Costa.

Sobre | Teolinda Gersão

Teolinda Gersão estudou Germanística e Anglística na Universidade de Coimbra, Universidade de Tübingen e na Universidade de Berlim. Foi leitora de português na Universidade Técnica de Berlim, docente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e posteriormente professora catedrática da Universidade Nova de Lisboa, onde ensinou literatura alemã e literatura comparada até 1995. A partir dessa data, decidiu reformar-se mais cedo e passou a dedicar-se exclusivamente à literatura. Começou por publicar ficção regularmente aos 41 anos, embora escreva desde a infância. O primeiro livro, que não faz parte das suas obras, foi publicado aos 14 anos, em edição de autor. Está traduzida em 19 países (Espanha, França, Alemanha, Holanda, Itália, Inglaterra, República Checa, Croácia, Roménia, Bulgária, Eslováquia, Turquia, Marrocos, Canadá, Estados Unidos, Brasil, México, Colômbia, China, Japão) e publicada no Brasil. Algumas das suas obras foram adaptadas ao teatro, com encenações em Portugal, Alemanha e Roménia, e ao cinema, tendo vários dos seus contos dado origem a curtas e médias-metragens (Ukbar Filmes).

Sobre | Maria João Costa

Jornalista do Grupo Renascença Multimédia desde 1997, Maria João Costa é desde 2008 responsável pela edição do programa semanal de informação cultural Ensaio Geral, na Rádio Renascença. Editou, entre 2006 e 2008, outro programa de caráter cultural, Primeira Fila. Como repórter, já acompanhou campanhas presidenciais e autárquicas. Foi uma das repórteres da Rádio Renascença durante a Expo ‘98. É autora do podcast Avenida da Liberdade. É licenciada pela Universidade Católica Portuguesa. Assinou os livros infantojuvenis Chamo-me… Beethoven, Chamo-me… Wagner, Chamo-me… Verdi, Chamo-me… Bach, Chamo-me… Chopin e Grandes Invenções: A Rádio (todos pela Didáctica Editora). Venceu o Prémio Escritaria em Penafiel, na categoria Rádio, em 2012, com a reportagem O Mundo de Agustina e, no ano seguinte, o Prémio Especial Jornalista LER/Booktailors. Em 2022, venceu o Prémio de Ciberjornalismo na Categoria Narrativa Sonora Digital com o podcast Avenida da Liberdade.

A entrada é livre e não sujeita a inscrição prévia.

Fonte:

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Urbano Tavares Rodrigues | Centenário do nascimento


100 ANOS | 06.Dezembro.1923 - 06. Dezembro. 2023



No centenário do nascimento de Urbano Tavares Rodrigues Luís Caetano recordou-o n' "A Ronda", da Antena 2: uma entrevista com 12 anos para escutar as memórias do escritor, jornalista, professor, comunista, amigo de Albert Camus, Jean-Paul Sartre, Simone Beauvoir, entre tantos outros.


Primavera

A Primavera vem dançando
com os seus dedos de mistério e turquesa
Vem vestida de meio dia e vem valsando
entre os braços dum vento sem firmeza

Nu como a água o teu corpo quieto e ausente
Só este inquieto esvoaçar do teu sorriso
Loiro o rosto o olhar não sei se mente
se de tão negro e parado é um aviso
do destino que me fixa finalmente

Ai, a Primavera vai passando
com os seus dedos de mistério e de turquesa
Segue Primavera vai cantando
Que será do nosso amor nesta praia de incerteza

Urbano Tavares Rodrigues, in Horas de Vidro

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Apresentação dos livros de Raquel Oliveira



Maria Raquel de Oliveira, antiga professora de educação física da Escola Secundária da Amadora, atualmente aposentada, irá à Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos, no dia 21 de novembro (terça-feira), pelas 18h30, dar a conhecer dois dos seus livros recentemente publicados: “Olhares" e “Percursos de uma Paixão”, que serão apresentados pela professora Maria Filomena Martins e professora Cândida Matos, respetivamente. 

Esta iniciativa contará ainda com a atuação ao vivo do violinista internacional Daniel Bolito.

O evento de entrada livre, terá a participação de alunos de turmas do ensino noturno da Escola Secundária da Amadora, acompanhados pelos professores Ana Paula Rodrigues, Ana Cristina Silva e João Gonçalves.

Sinopse | “Olhares"

«"Olhares" relata a vida de três mulheres fortes, a Fi, que é professora e atriz, a Nôr, juíza, e a Bia, atriz, entrelaçada pela amizade e marcada por algumas tragédias.

Praticamente irmãs, a Fi e a Nôr são amigas desde a infância, entraram no mesmo ano na faculdade, onde, no primeiro dia, a Nôr conheceu o homem da sua vida, o João, com quem se casou anos depois.

A Fi casou-se com o Fernando, sem grande paixão, mas com a esperança de que ele lhe proporcionasse companheirismo e segurança. A Bia casou-se com Ele, que era seu amigo e namorado desde a infância.

Um acidente de trânsito muda completamente a vida de Nôr; a civilidade demonstrada por Fernando transforma-se em violência doméstica contra Fi e uma suposta nova paixão d’Ele desestabiliza completamente a vida da Bia, grávida do segundo filho do casal, que não imagina que o grande amor do marido seja a amiga Fi, que não consegue fugir ao deslumbramento, à descoberta e à urgência dos seus desejos e que vê, nesta paixão, uma impossível, mas desejada saída à sua triste e falida vida amorosa.»

Sinopse | “Percursos de uma Paixão”

«"Percursos de uma Paixão" relata a história de uma paixão desde o seu início improvável até ao seu fim; ao longo do tempo, vamos espreitando um primeiro encontro, dúvidas e certezas, avanços e recuos até ao assumir do amor e do prazer, mas, há sempre um mas nestas histórias de amor, também se instalam, a pouco e pouco, as rotinas, as indiferenças e as traições, que levam à solidão e à depressão. No entanto, a vontade de sobreviver e avançar acaba por nascer e faz crescer, das cinzas de uma paixão, um sentimento de paz e de amor próprio.»

Sobre | Raquel Oliveira

«Nasceu em Lisboa no dia 17 de março de 1947 e cresceu, como costuma dizer, por quase todo o Portugal, incluíndo as ilhas. Ao longo da vida como federada, praticou natação e basquetebol, cantou no coro da Juventude Musical Portuguesa e fez teatro em Campolide e, desde muito cedo, começou a escrever poesia e contos.

Desde pequena quis ser professora de educação física e desporto, o que conseguiu e, depois de ficar colocada na escola EB2,3 Almeida Garrett, viria a morar para a rua dos Bombeiros Voluntários, na Amadora.

Acabou a sua carreira no ensino, depois de alguns anos na Escola Secundária da Amadora e agora está aposentada, o que lhe dá mais tempo para realizar alguns dos seus sonhos, sendo um deles escrever.»

Fonte:

segunda-feira, 6 de novembro de 2023

Livro do Mês | Novembro 2023

O livro que sugerimos para leitura deste mês é uma obra publicada em 2022, por Publicações  Dom Quixote, da autoria de Adania Shibli, escritora palestiniana que apresenta em "Um detalhe menor", um poderoso romance inquietante e sublime sobre a guerra, a violência, a memória e a injustiça.



Sobre a autora: 

Adania Shibli nasceu em 1974 na Palestina.
Doutorada pela Universidade de East London, tem escrito romances, peças de teatro, contos e ensaios narrativos, que foram publicados em várias antologias, livros de arte e revistas literárias e culturais em diferentes línguas.
Foi distinguida duas vezes com o Prémio Jovem Escritor da Fundação A. M. Qattan da Palestina: em 2001 pelo seu romance Masaas, e em 2003 pelo seu romance Kulluna Ba'id bi-dhat al-Miqdar 'an al-Hubb.
Um detalhe menor, o seu mais recente romance, foi finalista do National Book Award 2020, na categoria de Literatura Traduzida, e do International Booker Prize 2021.
Empenhada na investigação académica, ensina desde 2013 no Departamento de Filosofia e de Estudos Culturais da Universidade de Birzeit, na Palestina, dividindo o seu tempo entre Jerusalém e Berlim.

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Livro do Mês | Setembro 2023

Tendo em consideração que se cumpre hoje, dia 13 de setembro, cem anos do nascimento de Natália Correia, a equipa da biblioteca escolar elege como livros do mês os dois volumes da obra "O sol nas noites e o luar nos dias", que reúne toda a poesia de Natália Correia, bem como alguns poemas inéditos.


Fica aqui uma pequena nota sobre a autora:
Poetisa e dramaturga, ativista política e defensora dos direitos das mulheres, Natália Correia foi tudo isso e muito mais. Nascida em 1923 na ilha de São Miguel, a sua figura marcaria a cultura e a sociedade portuguesas da segunda metade do século XX, dona de uma personalidade carismática e combativa, sem medo de assumir posições que tantas vezes abalaram preconceitos enraizados e desafiaram as convenções, nomeadamente nos anos em foi deputada na Assembleia da República. Na RTP teve uma presença importante sobretudo durante a década de 80 enquanto autora da série “Mátria”, uma visão do lado matriarcal da sociedade portuguesa. Faleceu em 1993, na sua Lisboa adotiva, aos 69 anos de idade.

Fique a conhecer um pouco mais esta extraordinária Mulher >>

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Cesariny 100



No dia do centenário de Mário Cesariny escutamos os seus poemas, ouvimos quem nos evoca a sua vida e obra e recebemos uma atuação ao vivo de Os Poetas, que apresentam um novo disco a si dedicado.

Um programa Antena 1 para ouvir na RTP Palco.