Mostrar mensagens com a etiqueta Fernando Pessoa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fernando Pessoa. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Novos Estudos Pessoanos 2020

Estão disponíveis as comunicações do Colóquio Novos Estudos Pessoanos 2020 – Ponto de Situação.



Desde o Congresso Internacional Fernando Pessoa em Fevereiro 2017 na Fundação Gulbenkian, a Casa Fernando Pessoa procura, anualmente, que se faça um ponto de situação do novo conhecimento nesta área.

Pessoanos, investigadores, estudantes, juntaram-se em Fevereiro deste ano, 2020, no Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva para apresentarem e debaterem pesquisas recentes, novas leituras e últimas publicações.

Agora publicam-se as comunicações que actualizam o trabalho dos investigadores presentes.

Clique na imagem para aceder ao documento.

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Heterónimos de Fernando Pessoa | Quizz


Conhece bem os heterónimos de Fernando Pessoa? 

Faça o quizz que preparámos para si.

Nota: Pode verificar a sua pontuação ao clicar em «Enviar todas as respostas e ver o resultado»


Quiz criado por Prelo Blogue Editorial com GoConqr

Fonte:
PRELO-IMPRENSA NACIONAL. Disponível em http://prelo.incm.pt/2019/08/quizz-heteronimos-de-fernando-pessoa.html

"Na ribeira deste rio", poema de Fernando Pessoa, com música de Dori Caymmi


Na ribeira deste rio
Ou na ribeira daquele
Passam meus dias a fio.
Nada me impede, me impele,
Me dá calor ou dá frio.
Vou vendo o que o rio faz
Quando o rio não faz nada.
Vejo os rastros que ele traz,
Numa sequência arrastada,
Do que ficou para trás.
Vou vendo e vou meditando,
Não bem no rio que passa
Mas só no que estou pensando,
Porque o bem dele é que faça
Eu não ver que vai passando.
Vou na ribeira do rio
Que está aqui ou ali,
E do seu curso me fio,
Porque, se o vi ou não vi.
Ele passa e eu confio.
2-10-1933

Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995). – 184.
Ouça aqui o poema ‘Na ribeira deste rio’, de Fernando Pessoa, com música e interpretação de Dori Caymmi.


Fonte: 
Revista Prosa Verso e Arte; ‘Na ribeira deste rio’, belo poema de Fernando Pessoa, com música de Dori Caymmi (Em linha) (Consult. 03.06.2020) Disponível em https://www.revistaprosaversoearte.com/na-ribeira-deste-rio-belo-poema-de-fernando-pessoa-com-musica-de-dori-caymmi/

Fernando Pessoa | Textos inéditos



Richard Zenith, que tem sido responsável pela edição de muitos livros de Fernando Pessoa na Assírio & Alvim e Fernando Cabral Martins, que organizou várias edições de Fernando Pessoa, vão dar a conhecer mais dois textos originais de Fernando Pessoa.

Os textos do poeta nunca antes editados vão ser publicados pela Assírio & Alvim e integrados na nova edição de "O Caso Mental Português", livro que faz o retrato dos portugueses e da identidade cultural de Portugal.

Clique na imagem para a aceder à reportagem.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Heterónimos no cinema



Foi há poucos dias. Se bem sei, Fernando Pessoa, Ricardo Reis e Álvaro de Campos tinham ido ver um filme ao cinema Ideal, aqui tão perto do Centro Nacional de Cultura, e não resistiram a tomar uma bica e outras amenidades de boca na Brasileira. Gravei-lhes a conversa e transcrevi, ipsis verbis, o que livremente quiseram dizer. Faltou Alberto Caeiro que, creio, nunca entrou numa sala de cinema.


“Ó Fernando, com tanta angústia patriótica a saltar-lhe da mão esquerda para a direita, você nem a bica consegue tomar.”

Foi o que o engenheiro disse, fazendo rir a mesa heteronímica a que se sentam. São três: Pessoa, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Mortos, descontraídos e invisíveis para os turistas de 2019 da Brasileira.

Pessoa lamentou-se: “Sabe, engenheiro, é a mágoa de um presente infeliz. Somos o pingo de tinta seca de quem escreveu Impérios na geografia do mundo.”

Reis, mal o deixou acabar: “Lá vem você com o Quinto Império. Basta-nos o mito ou, para que as actuais gerações compreendam, um milagre como no cinema. Ainda ontem voltei a ver, de mão dada com a Lídia, o “It’s a Wonderful Life” do Capra.”

“Nem Portugal é o Jimmy Stewart, nem a Senhora Merkel tem a bonomia do anjo Clarence,” riu-se o desbocado Campos.

Pessoa interrompeu-o: “Bem dito, engenheiro. Onde anda o português que, com a universalidade das Descobertas, salvou a Europa de ser só mediterrânica? Voltou o português à antiga – bom católico, toureiro, estúpido como uma porta de cofre-forte.”

Campos insiste: “Como não está cá o Mestre Caeiro para se zangar comigo e já que o Dr. Reis gosta de filmes, diria que nos falta um optimismo fordiano.”

Logo Pessoa: “O Álvaro confunde optimismo com o que em Ford é só pura crença e europeia. Porque Ford era artisticamente europeu e universal. O cinema dele era uma poesia ajudada: reflecte nos filmes o que a alma não tem.”

Reis interrompe-os: “Pois a Portugal até o direito a ser europeu escapa. Somos só serventuários da França e lacaios da Alemanha.”

O engenheiro abana a cabeça: “Quando fazemos uma revolução é para implantar uma coisa igual à que já estava. Veja o Passos Coelho, parecia tão liberal e indisciplinador? Mas acabou por cair na disciplina por uma fatalidade ancestral.”

Pessoa dá um salto na cadeira: “Álvaro, não está a sugerir que os portugueses se ponham a ver “O Couraçado de Potemkin” ou o “Ivan o Terrível?”

Álvaro ofende-se: “Todo o artista que dá à sua arte um fim extra-artístico é um infame. Encontre-me antes, no cinema, um criador de anarquias.”

Reis afasta o cálice de absinto: “Um Syberberg, um Herzog? Cuidado com o cinema alemão. Olhem a Merkel: uma asceta. Como é perigoso o asceta que se casa com o poder e se amanceba com a vontade de domínio.”

Pessoa concorda: “A Alemanha é na paz o que sempre foi na guerra: uma organização cruel. O sacro império romano é o que cada Alemanha ocultamente quer ser.”

Campos volta à carga: ”Prefiro o cinema que seja uma mentira artística, o americano. Intruja? Mas um país sem grandes intrujões é um país perdido. Quem não intruja não come. A grande civilização é a superior organização da artificialidade, isto é, da intrujice.”

Levantam-se, exuberantes, e saem sem pagar a conta.


Manuel S. Fonseca

Texto retirado de:
Raiz e Utopia, Centro Nacional de Cultura