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terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Fora da estante | A Água



A terra, reconhecida como planeta azul, graças à elevada quantidade de água existente na sua superfície, pode levar a crer que a água potável que contém é um recurso inesgotável. Porém, a água propícia para o consumo de cerca de 8 mil milhões de seres humanos é apenas na ordem de 2,5% a 3%. 

Estas percentagens de água doce seriam suficientes para abastecer a população mundial, contudo, a desigual distribuição deste recurso natural, abundante em alguns países, escasso em outros; o difícil acesso ao mesmo, pois parte da água doce concentra-se em glaciares e aquíferos; o impacto das alterações climáticas e do aquecimento global do planeta, que conduzem ao agravamento dos períodos de seca e desertificação, por um lado, e ao aumento do nível do mar, com a destruição de orlas costeiras e salinização dos solos e toalhas freáticas, por outro; bem como o uso, cada vez mais insustentável, nas atividades humanas, conduzem rapidamente ao stress hidríco, ou seja, as necessidades de consumo de água são superiores à quantidade de água disponível no território.

De acordo com a Associação Zero Portugal é o 41.º país do mundo com mais stress hídrico, sendo as regiões do Algarve e do Alentejo as mais atingidas, com cenários para o futuro preocupantes.

A iniciativa Fora da estante deste mês seleciona um conjunto de dez títulos que visam dar a conhecer este recurso natural, como o gerir e monitorizar, bem como salientar o papel geoestratégico que os recursos hídricos desempenham.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Fora da estante | Japão


As relações culturais entre Portugal e Japão têm raízes históricas profundas, marcadas pelos primeiros contactos no século XVI. Foi em 1543 que marinheiros portugueses desembarcaram na ilha japonesa de Tanegashima, tendo sido estes os primeiros europeus a realizar este feito. Durante aproximadamente um século (e até ao chamado “Édito de Exclusão” de estrangeiros) os dois países mantiveram intensas relações comerciais, que foram mais tarde reatadas e que se mantém presentemente.

A influência mútua abrange áreas como arte, culinária e linguagem, refletindo-se na presença de elementos japoneses em certos aspetos da cultura portuguesa e vice-versa. Novos vocábulos entraram na língua japonesa, juntamente com os produtos que não existiam no Japão. Podemos citar, entre outros, o “pan” (pão), o “koppu” (copo), o “botan” (botão), o “tabako” (tabaco), o “shabon” (sabão) etc. Estas palavras de origem portuguesa, ainda se mantêm em japonês e são utilizadas na vida quotidiana. Por outro lado, existem em português palavras como “biombo” e “catana” oriundas do vocabulário japonês, apesar de ligeiras alterações na pronúncia. 

Essa troca cultural é também notável, por exemplo, na introdução de produtos como o chá e a tempura em Portugal, enquanto o estilo de azulejos portugueses também influenciou a arquitetura japonesa, Esta interação destaca a diversidade e o enriquecimento mútuo das duas culturas ao longo dos séculos. 

Contudo, a literatura japonesa possui características próprias, moldadas por séculos de tradição e influência cultural, da qual se salienta a concisão e a estrutura da expressão poética, exemplificado pelo Haiku; a valorização da simplicidade e o minimalismo na expressão literária; a exploração de temas associados a valores éticos e morais, emoções humanas, relações familiares e sociais, entre outros.
 
A iniciativa Fora da estante deste mês seleciona um conjunto de quinze títulos que visam dar a conhecer a singularidade da literatura japonesa, proporcionando, deste modo, uma experiência cultural aos leitores.