sexta-feira, 28 de julho de 2023

Boas férias... com muita leitura!



No final de mais um ano letivo, queremos desejar-vos um ótimo descanso. 

Onde quer que passem as vossas férias, aproveitem o período estival e ... “mergulhem” na leitura!

Bom verão.

Vemo-nos em setembro.



A Biblioteca em números

Chegámos ao final de mais um ano letivo.

Este é, ainda, o momento de refletir sobre o caminho traçado, de fazer o balanço dessa caminhada, de prestar contas e de demonstrar os contributos da biblioteca para a concretização dos objetivos do projeto educativo da escola.

Aqui fica um infográfico no qual partilhamos aos dados do trabalho desenvolvido neste ano letivo.

Maratona de Cartas 2022/2023 | resultados e certificado



  • Na sua 21ª edição, a Maratona de Cartas continuou a gerar um impacto muito positivo de direitos humanos; 
  • Em todo o mundo, foram registadas, pelo menos, 5.320.261 ações em defesa dos direitos humanos – um aumento de 14,2% relativamente a 2021
  • Em Portugal foram recolhidas 111.199 assinaturas e 2.929 mensagens de solidariedade para cada um dos casos deste projeto.

A vigésima primeira edição da Maratona de Cartas fez perdurar o impacto positivo de direitos humanos, em especial na vida das pessoas em foco da campanha. As ações online continuaram a crescer e houve também um regresso dos eventos presenciais, já que as restrições da COVID-19 terminaram na maioria dos países. Em Portugal, foram dinamizadas dezenas de sessões de educação para os direitos humanos, realizadas entrevistas, efetuadas ações de sensibilização e muitas outras ações de ativismo com a participação de centenas de pessoas.

A nível nacional, a mobilização de milhares de pessoas apenas foi possível graças à ação das estruturas da Amnistia Internacional, de pelo menos 316 escolas, várias entidades externas e dezenas de pessoas que organizaram eventos de recolhas de assinaturas junto de amigos e familiares. O impacto alcançado, sobretudo, nos cinco casos apoiados pela Amnistia Internacional Portugal, deveu-se, por isso, a esse ativismo, mobilização, empenho e dedicação ao longo dos meses de novembro e dezembro de 2022 e, ainda, janeiro de 2023. 

Veja os desenvolvimentos de cada caso - Aleksandra, Chow, Dorgelesse, Luis e Nasser >>

A totalidade dos detalhes fica disponível no relatório internacional de avaliação deste projeto.


Na Escola Secundária da Amadora participaram neste grande evento de cidadania  10 turmas, num total de 210 alunos.

quinta-feira, 27 de julho de 2023

Sugestões de livros para ler durante as férias
Verão de 2023

Férias de verão são sinónimo de praia, descanso, dias longos, amigos e… muitas leituras. Para não perder tempo à procura das novidades, reunimos 18 sugestões de leitura.



1. Lá onde o vento chora, de Delia Owens - ed. Porto Editora, 2019

Um livro best-seller, ambientado nos pântanos da Carolina do Norte, conta a história de uma jovem chamada Kya que cresce sozinha no deserto na década de 1950. O livro explora temas de solidão, sobrevivência e a beleza do mundo natural, tudo entrelaçado com um mistério de assassinato.

2. Torto arado, de Itamar Vieira Junior - ed. Leya, 2019

Prémio Jabuti de Literatura 2020
Finalista do Prémio Oceanos 2020
Prémio Leya 2018

Bibiana e Belonísia são filhas de trabalhadores de uma fazenda no Sertão da Bahia, descendentes de escravos para quem a abolição nunca passou de uma data marcada no calendário. Intrigadas com uma mala misteriosa sob a cama da avó, pagam o atrevimento de lhe pôr a mão com um acidente que mudará para sempre as suas vidas, tornando-as tão dependentes que uma será até a voz da outra. 

Porém, com o avançar dos anos, a proximidade vai desfazer-se com a perspectiva que cada uma tem sobre o que as rodeia: enquanto Belonísia parece satisfeita com o trabalho na fazenda e os encantos do pai, Zeca Chapéu Grande, entre velas, incensos e ladainhas, Bibiana percebe desde cedo a injustiça da servidão que há três décadas é imposta à família e decide lutar pelo direito à terra e a emancipação dos trabalhadores. Para isso, porém, é obrigada a partir, separando-se da irmã.

Numa trama tecida de segredos antigos que têm quase sempre mulheres por protagonistas, e à sombra de desigualdades que se estendem até hoje no Brasil, Torto Arado é um romance polifónico belo e comovente que conta uma história de vida e morte, combate e redenção, de personagens que atravessaram o tempo sem nunca conseguirem sair do anonimato.

3. A arte de driblar destinos, de Celso Costa - ed. Leya, 2023

Prémio Leya 2022

Numa povoação do interior do Paraná, a escola oficial não vai além dos primeiros anos, pelo que quase ninguém consegue passar do ensino básico. Também os cuidados de saúde são precários, levando a que os males do corpo e da alma sejam tratados com o que se tem à mão ou através da intervenção mágica de feiticeiros e curadores.

É neste cenário que o protagonista de A Arte de Driblar Destinos - um menino nascido no seio de uma família que se vê constantemente em apuros para pagar os descalabros de um pai que não quer ganhar juízo - é incentivado a prosseguir os estudos por uma professora primária e acaba acalentando o sonho de se tornar professor e enganar o destino que lhe estaria reservado.

4. O olhar mais azul, de Fernando Pinto do Amaral - ed. Dom Quixote, 2023

No Ohio dos anos de 1940, Pecola tem a pele mais escura de toda a escola. Rejeitada e tratada com desdém, todas as noites reza para ter os olhos azuis como as atrizes de cinema, as meninas brancas privilegiadas e as bonecas de brincar (“Pecola nunca conheceria a sua beleza. Veria apenas o que havia para ver: os olhos das outras pessoas”). Esta é uma obra poderosa sobre as consequências trágicas e debilitantes de se achar a rejeição como legítima e sobre a forma como a protagonista se desmorona, silenciosamente, anonimamente, sem voz para exprimir ou reconhecer o trauma. Mas, é também um livro que rejeita a noção equivalente de fealdade/negridão e que confronta o conceito de beleza imposto. A autora, Prémio Nobel de Literatura em 1993, procurou com este romance de estreia, que tenta tocar no “nervo nevrálgico do autodesprezo racial”, uma escrita “indiscutivelmente negra” tentando “transfigurar a complexidade da cultura negra americana numa linguagem digna dela.

5. Última vida, de Toni Morrison - ed. Presença, 2023

O volume poético Última vida divide-se em três partes: a primeira constituída por sonetos; a segunda por uma não-carta-de-amor em sete estâncias; e a terceira por poemas reunidos sob o titulo de Fim do Mundo

Fernando Pinto do Amaral retoma o seu lirismo de tons melancólicos, um conjunto de poemas que parecem dar-nos o retrato de um espírito ou de um planeta feitos de sombras, em vésperas de um fim do mundo anunciado. Paralelamente, a presente coletânea propõe também uma profunda reflexão sobre o sentido da própria poesia.

6. As mil e uma noite : histórias apócrifas, de Antoine Galland e Hanna Diab - ed. E-Primatur, 2023

A labiríntica narração de Xerazade tem seduzido gerações de leitores conduzidos por um mundo lendário, mágico e alegórico, povoado de reis, califas, tapetes voadores, misteriosas princesas, enganos, e trágicos amores, em que exotismo e sensualidade se confundem. Porém, As Mil e uma Noites, é, simultaneamente, uma obra que faz parte do imaginário popular e uma das mais desconhecidas da literatura universal. As suas histórias, as mais antigas remontam ao século XIV, foram sucessivamente alteradas, aumentadas ou encurtadas e, até, inventadas por tradutores menos escrupulosos. 

Antoine Galland, o primeiro tradutor europeu de As Mil e Uma Noites, acrescentou à tradução do manuscrito em sua posse várias histórias. Estas histórias apócrifas, como as designam os especialistas, terão sido contadas a Galland por um mercador sírio Hanna Diab que falava francês. Entre elas, contam-se algumas das mais populares, como as de Ali Babá e os Quarenta Ladrões ou Aladino e a Lâmpada Mágica

Este volume reúne as histórias que não provêm dos manuscritos árabes que recolhem lendas e contos tradicionais. Provavelmente, nunca se poderá garantir se terão sido contadas pelo mercador sírio, inventadas por Galland ou constado de algum manuscrito entretanto desaparecido.

7. A tentação de Santo Antão, de Gustave Flaubert - ed. Minotauro, 2023

Em 1845, o escritor Gustave Flaubert (1821/1880) admirou, no Palácio Balbi, em Genova, a pintura atribuída a Pieter Brueghel, o Jovem, A Tentação de Santo Antão. Esta experiência, juntamente com as recordações dos espetáculos ambulantes apresentados na feira de Saint-Romain em Rouen, inspirou a criação da presente obra, objeto estranho e inclassificável com a perfeição formal que caracteriza os escritos do autor.

Antão, o eremita de Tebaida, dialoga com aparições sucessivas e tentações demoníacas: visões de luxúria, seduções de poder e de prazer e a aparição do seu discípulo, Hilarião, que faz desfilar, perante ele, “os deuses de todas as nações e de todas as épocas” sublinhando as contradições das Escrituras. Segundo Baudelaire, seu contemporâneo, a obra constituía o “gabinete secreto do seu espirito” através da qual Flaubert expôs a “faculdade subterrânea do sofrimento” que marca a “desordem tumultuosa da solidão”. 

Uma obra percursora que antecipa o movimento surrealista na sua estreita relação com a teoria psicanalítica, conduzindo o olhar do leitor, ora encantado, ora aterrado, através de um mundo “criado por um Deus em delírio".

8. Poemas eróticos sobre frades, freiras e padres , coord. de Victor Correia - ed. Guerra & Paz, 2023

A vida dos frades, freiras e padres está rodeada de interditos devido aos votos de castidade e celibato. A literatura erótica alimenta-se da transgressão associada à sexualidade. Em Portugal, desde a Idade Média, através dos cancioneiros medievais galego-portugueses, que se dá conta de transgressões praticadas por freiras e padres com indivíduos que não pertenciam à Igreja, por padres e freiras entre si, mas também entre os próprios padres e freiras. Porém, é sobretudo nos séculos XVII e XVIII que se escreveram esses poemas em consequência do contexto sociocultural da época, devido, por um lado, ao facto de haver mais conventos no país, e por outro, às influências que Portugal recebeu das “ideias libertinas da Europa desses séculos”. 

Organizada por Victor Correia, esta antologia única reúne poemas eróticos sobre frades, freiras e padres, escritos por mais de 50 autores portugueses clássicos, da Idade Média ao início do século XX. No final da antologia, divulga um conjunto de poemas inéditos do século XVIII, cujos manuscritos estão no arquivo nacional da Torre do Tombo: são da autoria de um frade, Frei João de Deus, e foram endereçados a diversas freiras. Têm agora, pela primeira vez, publicação em Portugal.

9. Portugueses na lista negra de Hitler , de Miriam Assor - ed. Casa das Letras, 2023

O nazismo classificou os judeus como inimigos prioritários, mas perseguiu igualmente opositores políticos, testemunhas de Jeová, homossexuais, pessoas acusadas de serem criminosas profissionais e os chamados antissociais (mendigos, prostitutas, alcoólicos). Esterilizou, à força, afro-alemães, vitimou deficientes, empregou medidas extremas contra grupos considerados inimigos raciais, civilizacionais ou ideológicos, ciganos e funcionários e prisioneiros de guerra soviéticos, como lembra Miriam Assor no prefácio ao presente livro. Não obstante Portugal ter declarado neutralidade na II Guerra Mundial, houve cidadãos com documentação portuguesa tragicamente envolvidos na contenda. 

Fruto de uma pesquisa de mais de dez anos, esta é uma investigação inédita sobre os judeus portugueses que foram vítimas do totalitarismo nazi, do seu encarceramento, condições de transporte para os campos de extermínio. A obra inclui as memórias dos poucos que sobreviveram ao Holocausto, narradas pelos próprios ou pelos seus descendentes. Lembra a política consular do Estado Novo, que poderia ter feito muito mais para proteger os seus cidadãos no estrangeiro. Recorda os nomes dos diplomatas que desobedeceram às diretivas do Ministério dos Negócios Estrangeiros e a intervenção da Polícia portuguesa, no sentido de fechar as fronteiras e de encurtar o mais possível a estadia dos refugiados em território nacional.

YOUNG ADULT




1. Quinta Estação : Terra fraturada - livro 1, de N.K. Jemisin - ed. Relógio d'Água, 2018

Série duas vezes vencedora do Hugo Awards

Este é o primeiro livro de Terra Fraturada, uma série de fantasia que conta a história do fim do mundo. Começa com a grande brecha vermelha no coração do único continente do mundo, vomitando cinzas que encobrem o sol. Começa com morte, com um filho assassinado e uma filha desaparecida. Começa com traição e feridas há muito adormecidas que despontam para supurar. Isto é o Sossego, um território de catástrofe, onde o poder da terra é empunhado como arma. e onde não há misericórdia.

2. Sete dia em Junho, de Tia Williams - ed. TopSeller, 2022

Quando Eva Mercy e Shane Hall se cruzam num evento literário em Nova Iorque, a faísca entre os dois é inegável, deixando toda a comunidade de autores negros em polvorosa. O que ninguém sabe é que, quinze anos antes, quando eram adolescentes, Eva e Shane passaram uma intensa semana juntos, sete dias que lhes mudaram a vida para sempre. Durante uma quente semana de Junho, Eva e Shane reaproximam-se, mas ela não tem a certeza de poder confiar no homem que lhe partiu o coração e só quer que ele se vá embora rapidamente, para conseguir recuperar o equilíbrio da sua vida. Mas antes que Shane volte a desaparecer, Eva precisa que ele lhe responda a algumas das perguntas que ficaram tantos anos sem resposta. 

3. Quebrar o Gelo = Icebreaker : série Maple Hills, de Hannah Grace - ed. Bertrand, 2023

Anastasia treina todos os dias com a ambição de garantir um lugar na equipa de patinagem artística no gelo dos Estados Unidos. Nathan, capitão da equipa de hóquei, nunca enfrentou um problema que não conseguisse e, em boa verdade, que não tivesse de ser ele a resolver. Só que quando um pequeno mal-entendido faz com que as duas equipas tenham de partilhar o mesmo rinque de patinagem da Universidade da Califórnia — Maple Hills, Nate vai acabar por trocar o stick por collants desportivos e ajudar Stassie a treinar. Hum, a treinar… será que vão ficar por aí?

4. Mar alto, de Caleb Azumah Nelson - ed. Particular, 2023

Dois jovens conhecem-se num bar, em Londres. Ambos são afrodescendentes britânicos, ambos receberam bolsas de estudo para escolas particulares às quais tentam pertencer. E ambos são agora artistas — ele, fotógrafo; ela, dançarina. Querem deixar as suas marcas num mundo que, à vez, tanto parece celebrá-los como rejeitá-los. Mar Alto é uma dolorosamente bela história de amor, uma visão poderosa sobre conceitos de raça e género. 

5. De amanhã em amanhã, de Gabrielle Zevin - ed. Asa, 2022

Num gélido dia de dezembro, Sam Masur está a sair de uma carruagem de metro quando vê, por entre a multidão na plataforma, a sua melhor amiga de infância, Sadie Green. A amizade entre ambos terminara abruptamente quase uma década antes. O que não o impede agora de chamar por ela. Por um momento, ela finge não ouvir, mas acaba por ceder e olhar para ele. É assim que tudo (re)começa.

6. Viúva de ferro, de Xiran Jay Zhao - ed. Saída de Emergência, 2022

As fronteiras de Huaxia são defendidas por máquinas de guerra gigantescas movidas pela energia vital de um piloto e da sua concubina. Os combates são violentos e, se os homens sobrevivem, as mulheres são quase sempre sacrificadas. Apesar de saber o futuro trágico que a espera, Zetian alista-se no exército com apenas um objetivo: a vingança. Graças à sua força psíquica excecional, Zetian sai vitoriosa do confronto e torna-se na Viúva de Ferro, juntando-se à elite de pilotos e fazendo par com Li Shimin, o piloto mais perigoso e controverso de Huaxia.

7. Twisted lies, de Ana Huang - ed. Clube de Autor, 2023

Stella Alonso é uma romântica sem tempo para relacionamentos. Mas quando uma ameaça do seu passado a leva diretamente para os braços - e para a casa - de Christian, o homem mais perigoso que alguma vez conheceu, fica tentada a deixar-se sentir algo pela primeira vez em muito, muito tempo. O seu amor é distorcido por segredos e manchado pelas mentiras. Quando as verdades finalmente são reveladas, podem destruir tudo irremediavelmente.

8. O jogo perfeito : o homicídio perfeito # 0,5, de Holly Jackson - ed. Presença, 2023

Pip não está com disposição para festas, e logo esta, do Jogo Perfeito, em que o tema são os anos 1920, implica ir vestida a rigor e fingir que são todos de uma ilha chamada Joy. Mas quando o jogo começa e o mistério se adensa, Pip sente-se magneticamente atraída por tudo aquilo: quer entrar na intriga, enganar e não ser enganada, resolver o homicídio…

9. Um reino de intrigas, de Tahereh Mafi - ed. TopSeller, 2023

No grande império de Ardunia, Alizeh é apenas uma criada insignificante. Ninguém pode saber quem ela realmente é: nada mais do que a poderosa rainha há muito desaparecida dos Jinn, um povo com poderes sobrenaturais, forçado ao anonimato para sobreviver. O príncipe herdeiro do império, Kamran, conhece as profecias que ditam a morte do seu avô, o rei. Mas nunca imaginou que aquela criada misteriosa, a rapariga de olhos enigmáticos — que ele não consegue tirar da cabeça — poderia ser a sua completa destruição... e a do seu reino.

Boas leituras! 

Nota: 
As sinopses são essencialmente disponibilizadas pelas editoras.

O direito a SER nas escolas


Título: O direito a SER nas escolas : orientações para a prevenção e combate à discriminação e violência em razão da orientação sexual, identidade de género e características sexuais, em contexto escolar
Autores coletivos: Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género e Direção Geral da Educação
Edição: Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género - CIG
Data de publ.: 2023 
N.º pag.: 32 p.

A Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género e a Direção-Geral da Educação publicaram nos seus sites o guia O Direito a SER nas Escolas, orientações destinadas a pessoal docente e não docente com vista a uma Escola mais inclusiva.

Todas as crianças e jovens têm direito à educação, o que também implica um espaço educativo seguro e protetor. Os profissionais da educação necessitam de conhecimentos e competências profissionais que lhes permitam compreender, decidir e intervir junto de toda a comunidade educativa, de modo a prevenir situações de discriminação e violência, garantindo os direitos humanos de todas as pessoas neste contexto.

Apesar dos avanços legislativos e das medidas em curso, a discriminação em razão da Orientação sexual, Identidade e Expressão de género e características sexuais fazem parte dos problemas que devemos combater de forma coletiva e assertiva, nomeadamente em contexto escolar.

O estudo “A long way to go for LGBTI equality”, da Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia (FRA), publicado em 2020, concluiu que a educação é uma das áreas em que as pessoas lésbicas, gays, bissexuais, trans e intersexo (LGBTI+) sofrem experiências de discriminação e violência

Neste estudo, foram apresentados alguns resultados para Portugal: apenas uma pessoa em cada dez jovens LGBTI+, entre os 15 e os 17 anos, relatou ser muito aberta relativamente à sua orientação e identidade de género na escola. Cerca de dois terços das pessoas inquiridas já se sentiram discriminadas e testemunharam comentários ou condutas negativas, sempre que alguma pessoa era identificada como LGBTI+. Aproximadamente metade relatou ter sido vítima de bullying.

De forma a ajudar a superar esta situação, a comunidade educativa tem de respeitar a diversidade e ser inclusiva. A demonstração ou intervenção positiva do pessoal docente e não docente, a discussão de temas da razão da Orientação sexual, Identidade e Expressão de Género e Características Sexuais (OIEC) na escola e a adoção de políticas ativas antibullying promovem e aumentam o bem-estar, a perceção de aceitação e o sentimento de pertença de jovens LGBTI+.

O Guia ”O Direito a SER nas Escolas: Orientações para a prevenção e combate à discriminação e violência em razão da orientação sexual, identidade de género, expressão de género e características sexuais, em contexto escolar”, será complementado com ações de formação, divulgação e sensibilização nas escolas.

Clique na capa para aceder a este guia.

Fonte:
DGE. Acedido em https://www.dge.mec.pt/noticias/guia-o-direito-ser-nas-escolas

quarta-feira, 26 de julho de 2023

Um passo adiante | Curso de Língua Portuguesa online


"Um passo adiante. Para interações orais do dia a dia em português europeu" é um curso online em português, inglês, francês, alemão, italiano e espanhol para aprender e praticar fórmulas comunicativas e ter acesso a informações socioculturais úteis para as interações quotidianas nessas línguas. 

Em cada uma das línguas, o curso terá quatro unidades com a mesma estrutura: a primeira parte apresenta um vídeo animado, representando situações comunicativas do dia a dia; a segunda parte explica, em termos mais didáticos, o conteúdo sociocultural e pragmático do vídeo anterior; a terceira parte consiste num conjunto de atividades online, para praticar e reforçar o conteúdo aprendido. 

Este curso online será útil para imigrantes, refugiados ou qualquer falante de língua segunda ou estrangeira, com nível intermédio nas línguas mencionadas, e que queira aprender mais sobre formas adequadas de comunicar e interagir na língua e cultura de destino.




UNIDADE 4. Como conversar

O curso desenvolvido por uma equipa da Universidade de Coimbra insere-se no projeto europeu “INCLUDEED” (Social cohesion and INCLUsion: DEveloping the EDucational possibilities of the European Multilingual Heritage through Applied Linguistics), que tem como objetivo facilitar a integração de grupos de migrantes e refugiados através da língua e, em 2022, lançou o  Guia para a Inclusão Linguística de Migrantes, também em diversas línguas, que está disponível aqui.

terça-feira, 25 de julho de 2023

PNL | Sugestões de leitura para férias 2023



A equipa do PNL sugere leituras para todos.

Nas listas de sugestões para diferentes públicos e gostos, incluem-se propostas para:

  • Aprender uma coisa diferente
  • Esquecer o mundo 
  • Encontrar uma preocupação nova
  • Acalmar o coração
  • Descobrir o culpado
  • Revisitar clássicos
  • Entre outras…




segunda-feira, 24 de julho de 2023

PNL | Livros recomendados - 1.º semestre de 2023



Os livros recomendados pelo PNL2027 respeitantes ao 1.º semestre de 2023 já se encontram no Catálogo PNL. As sugestões de leitura incluem, como habitualmente, temas variados e destinam-se a todos os públicos - crianças, jovens e adultos.

Aproveite as férias para relaxar, para ler e dar a ler os novos títulos recomendados pelo PNL2027.

Nas recomendações deste semestre descubra, entre outros:
  • O dicionário das palavras perdidas, de Pip Williams, publicado por Porto Editora.

  • Mulheres más, de Maria Hesse, publicado por Iguana.

  • Viagem ao coração de uma guerra futura : Ucrânia, Rússia, Leste da Europa, 1995-2022, de Paulo Moura, publicado por Objetiva

Gosta de banda desenhada? Novela gráfica? Poesia ou ensaio? Encontre excelentes livros e autores nas recomendações deste semestre.

Consulte o Catálogo  para ficar a conhecer os restantes livros indicados. Para tal, selecione "1.º semestre - 2023" no filtro "recomendados em", de seguida clique no sinal +.

Prepare a lista de livros que quer levar para as suas férias. Não se esqueça que o importante é ler. Ler sempre. Em qualquer lugar.

Boas leituras!

Boas Férias!


sexta-feira, 21 de julho de 2023

É uma menina!

O mundo está a mudar


#FutebolFeminino




Esta é uma história sobre muitas histórias.

É sobre pessoas que decidiram nunca parar de sonhar

E sobre pessoas que começaram a acreditar.

Porque o mundo já está a mudar o mundo.

Dedicada à primeira Seleção Nacional de Futebol Feminino a ir a um Mundial, a todas as jogadoras que as antecederam e a todas aquelas que ainda nem nasceram.

Veja aqui o making of do vídeo.

quinta-feira, 20 de julho de 2023

O vício do telemóvel...

A curta metragem  "Life smartphone", do chinês Chenglin Xie mostra a relação viciante com a tecnologia e como as pessoas esquecem uma das melhores coisas da vida, a convivência humana! 

Para não se falar em tudo o resto...

quarta-feira, 19 de julho de 2023

Fundação da Juventude | Formação


A Fundação da Juventude é uma instituição privada, de interesse público, sem fins lucrativos, focada nos interesses dos jovens, que conta com várias atividades e projetos ligados à educação e formação profissional, desenvolvimento social e cultural e inserção destes no mercado de trabalho. 

No âmbito da atividade de formação, a Fundação da Juventude dispõe de duas Academias, no Porto e em Lisboa, certificadas pela DGERT. Os cursos destinam-se a jovens e ao público em geral, de acordo com o enquadramento/tipo de formação.

A atividade da Fundação da Juventude divide-se, então entre Formação de curta duração e Academias de formação.

Formação de Curta Duração

A formação de curta duração contribui para o aumento do leque de conhecimentos, e também para o desenvolvimento de soft skills

Através da FJ Skills Academy, projeto dedicado à formação da Fundação da Juventude, que volta a ser parceira da Google.org e do Coursera são promovidos cursos 100% online gratuitos e certificados pela Google, nas mais variadas áreas.

Os cursos estão disponíveis para todos os interessados.

Será dada prioridade a:

  • jovens empregados, que pretendam desenvolver novas competências
  • jovens desempregados, que procurem novas áreas de formação

As certificações disponíveis são:

> IT Support

> Python

> Data Analytics

> Project Management 

> Digital Marketing 

> UX Design 

> Cybersecurity 

Conheça os conteúdos de cada curso, bem como os prazos de inscrição e duração >>


Academias de Formação

Nas Academias de Formação, no Porto e em Lisboa, são organizados cursos de aprendizagem, isto é, formação profissional inicial, focados na inserção dos jovens no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo que concluem o 12.º ano e nível IV (cursos com dupla certificação), os jovens aprendem uma "profissão", numa combinação entre a teoria e a prática. A formação é financiada, pelo que os participantes recebem uma bolsa mensal.

Esta formação é transversal - sociocultural, científica, tecnológica e em contexto de trabalho - alternando o ensino prático com o teórico. 

Pré-requisitos:

  • Jovens até aos 29 anos.
  • 9.º ano completo, ou o ensino secundário incompleto (frequência do 10.º/11.º ou 12.º anos).

Duração:

  • 3700 horas de formação financiada, incluindo estágio.
  • Estágio curricular em contexto real de trabalho.

Vantagens e benefícios:

  • Curso 100% financiado com benefícios mensais.
  • Estágio garantido em empresas e instituições de referência, com possibilidade de integração.
  • Bolsa de Profissionalização: até 48,04€ /mês.
  • Subsídio de alimentação: 5,20€/dia.
  • Transporte: despesa de transporte: despesa do passe, paga na totalidade ou subsídio de transporte até 72,06€/ mês.
  • Subsídio de acolhimento: até ao valor de 240,21€/mês*.
  • Subsídio de alojamento: até ao valor de 144,12€/mês**.
  • Bolsa de material de estudo***: 163,00€ (escalão A)/ 81,50€ (escalão B).

*: Valor processado mediante apresentação mensal de despesa, em caso de crianças em creche/ infantário ou AMA;
**: A atribuir a formandos que necessitem de ficar deslocados da sua residência, desde que distem a mais de 50km do local de formação;
***: Bolsa de material de estudo paga no início de cada período de formação, mediante apresentação de prova de escalão de abono na segurança social

Em Lisboa estão abertas as inscrições para os seguintes cursos: 

> Esteticista

> Técnico(a) de informática

> Técnico(a) de apoio à gestão

> Técnico(a) de vendas

> Técnico(a) de juventude

As formações têm início previsto em setembro de 2023.

Para mais informações e inscrição >>

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Prioridades para as Bibliotecas Escolares 2023/2024

A Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) já definiu e publicou as áreas de intervenção priioritárias, para o ano letivo 2023/2024, embora devam continuar a ser trabalhados os vários fatores críticos de sucesso nos diferentes domínios de atuação da biblioteca.

As prioridades fixadas para o próximo ano letivo surgem na continuidade das definidas em anos anteriores e têm como lema "Iteração e consolidação", o que significa que, na verdade, as prioridades reiteram o que foi definido para o ano transato: quando em 2022-2023 se destacava a necessidade de Inclusão, Recuperação & Inovação, em 2023-2024, afirma-se a imposição de aperfeiçoar e consolidar, em todos os domínios da intervenção das bibliotecas, as práticas de inclusão, recuperação e inovação que vêm do passado e, é claro, introduzir outras que se apresentem como relevantes.

Também os grandes focos se mantêm, sempre com a ideia de que é necessário repetir, aperfeiçoar e consolidar dinâmicas que respondem a imperativos claramente identificados:

  • O movimento global de transição digital continua a exigir que as bibliotecas se desenvolvam do ponto de vista digital e contribuam para esse movimento ao nível da escola, nas várias dimensões da sua ação.

  • A multifuncionalidade da ação da biblioteca que, hoje tem expressão analógica e digital, impõe a sua adaptação às necessidades atuais no que respeita aos seus espaços.

  • As competências da leitura e da escrita, essenciais a toda a aprendizagem, continuam a exigir um investimento muito significativo.

  • A revolução digital em curso, torna imprescindível, para uma participação efetiva na sociedade, uma combinação de competências digitais, de informação e media.

  • A atualidade tem demonstrado a necessidade premente de valorização do ser humano, na sua plenitude e pluralidade, na sua relação com o outro e com o planeta e nas suas múltiplas expressões.



Aceda à infografia através do QR Code:

A fraca qualidade do ar em Portugal

Portugal condenado por estar dez anos sem travar poluição do ar. E as regras vão apertar



Portugal foi condenado pelo Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) por não cumprir as regras europeias sobre qualidade do ar ao longo de dez anos. Foi ultrapassado o limite das concentrações de dióxido de azoto (NO2) em Lisboa, Porto e Braga. O incumprimento não foi contestado pelo Governo português. A situação poderá ser corrigida com o acompanhamento da Comissão, mas já vem aí um novo desafio: a União Europeia está a preparar uma revisão da Directiva de Qualidade do Ar Ambiente que vai fazer subir a fasquia.

No acórdão proferido no final de Junho, na sequência de uma acção movida pela Comissão Europeia, o TJUE declara o incumprimento de Portugal não apenas por ultrapassar o valor-limite anual dos níveis de dióxido de azoto, fixado em 40 microgramas por metro cúbico (µg/m³), mas também por não tomar “medidas adequadas para que o período de excedência possa ser o mais curto possível”.

Os dados comunicados pelas autoridades portuguesas mostram que as concentrações de NO2 no ar nas três zonas em questão excederam “de forma sistemática e persistente” o valor-limite anual entre 2010 e 2020, falhando os artigos 13.º e 21.º da Directiva de Qualidade do Ar Ambiente, lê-se na conclusão do acórdão do TJUE.

Em resposta ao PÚBLICO, o Ministério do Ambiente e da Acção Climática confirma que o Governo está “a analisar o conteúdo do acórdão” e vai aplicar, em conjunto com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), “um conjunto de medidas que tenham como finalidade mitigar o valor de NO2 nos três territórios objecto da decisão de incumprimento” do TJUE.

E agora?

Caso o Estado não tome medidas adequadas e consiga cumprir os limites impostos pela directiva — ou seja, se Portugal desrespeitar o acórdão do TJUE —, a Comissão, “a guardiã dos tratados”, terá matéria para seguir em frente com o procedimento por infracção, que pode resultar numa sanção pecuniária.

Apesar de improvável, já que a Comissão prefere adoptar uma abordagem construtiva de trabalho com os Estados-membros, a multa poderia ascender a vários milhões de euros. Mas isto pode levar anos a acontecer.

Por exemplo, Portugal foi condenado em 2009 pelo TJUE por não cumprir a directiva de tratamento de águas residuais urbanas, mas só em 2016 é que, perante a continuação do incumprimento em algumas cidades, o país foi condenado a pagar uma multa de três milhões de euros, somando-se oito mil euros por cada novo dia de atraso no cumprimento da directiva.

Questionado sobre se foi dado algum prazo para cumprir as exigências, o MAAC responde que, “segundo a legislação comunitária, não existe um prazo definido para que a Comissão possa submeter nova acção por incumprimento”, mas o Governo “está extremamente empenhado” em aplicar as medidas necessárias para deixar de estar entre os Estados-membros incumpridores. Em resposta ao PÚBLICO, a Comissão Europeia refere que “ainda não entrou em contacto com o Governo português para dar seguimento a esta decisão específica, mas irá fazê-lo, como é normal.”

Francisco Ferreira, docente de Qualidade do Ar na Universidade Nova de Lisboa, recorda que não é a primeira vez que Portugal é chamado à atenção sobre esta matéria, mas, no que toca a esta directiva (aprovada em 2008), não é o pior aluno: este procedimento foi aberto contra vários países onde a situação é mais aguda, como Itália, Espanha, Alemanha, Grécia ou França, mas estes processos ainda não foram encerrados.

Portugal tem neste momento 12 procedimentos abertos pela Comissão em matérias ambientais, cinco dos quais deram origem a processos no TJUE: além dos dois já mencionados, relacionados com qualidade do ar e do incumprimento da directiva sobre águas residuais urbanas, a Comissão também decidiu levar o país ao Tribunal de Justiça no início deste ano, por não-conformidade da legislação nacional com a directiva sobre avaliação de impacto ambiental, em Julho de 2020 pela má aplicação da directiva sobre ruído (que resultou numa condenação em Março de 2022) e em Janeiro de 2018 pela má implementação da directiva habitats (que também resultou na condenação de Portugal em Setembro de 2019).

Contudo, Francisco Ferreira lamenta a falta de celeridade dos processos. Os alertas sobre concentrações de dióxido de azoto começaram em Maio de 2015 — há oito anos —, quando a Comissão Europeia enviou ao Governo português uma notificação sobre o incumprimento do valor-limite anual de NO2 no ar ambiente nas zonas Lisboa Norte, Porto Litoral e Braga (agora chamada Entre Douro e Minho), enquanto a acção no TJUE foi movida em 2021. Neste meio tempo, “continuou a ultrapassar-se” os limites sem haver consequência, o que é “altamente frustrante”, diz o também presidente da associação ambientalista Zero.

Uma pandemia em “câmara lenta”

Francisco Ferreira alerta ainda para o facto de que, em 2021, a OMS actualizou os valores recomendados sobre a qualidade do ar e a Comissão Europeia já está a preparar os ajustes necessários. Com a ambição de “Poluição Zero” até 2050 que consta do Pacto Ecológico Europeu, a Comissão apresentou em Outubro de 2022 uma proposta de revisão das directivas, fixando para 2030 normas de qualidade do ar alinhadas com as recomendações da OMS.

Com a fasquia a subir, em breve os Estados-membros terão que cumprir valores mais exigentes. No caso do dióxido de azoto (NO2), por exemplo, a proposta da Comissão é que o limite anual passe da actual média de 40 microgramas por metro cúbico — o valor registado em Lisboa em 2020 — para 20 µg/m³. O Parlamento pede mesmo que se siga a recomendação da OMS, de 10 µg/m³. O mais recente relatório sobre poluição do ar da Agência Europeia para o Ambiente, publicado no final de Junho, mostra que em mais de metade das 45 estações de monitorização da qualidade do ar os valores de NO2 contabilizados em 2021 estavam acima dos 10 µg/m³, e sete estão acima de 20 µg/m³. “Se não conseguimos cumprir os limites actuais, ainda mais dificilmente conseguimos cumprir os futuros”, alerta o investigador.

Uma das novidades propostas nesta revisão é garantir que as pessoas que sofram de problemas de saúde causados pela poluição atmosférica tenham o direito de ser compensadas se houver violação das regras de qualidade do ar da UE. Os países europeus deverão também preparar “roteiros para a qualidade do ar”, garantindo uma harmonização dos índices de qualidade do ar na UE.

Em Setembro, o Parlamento Europeu deverá votar um relatório da Comissão do Ambiente, da Saúde Pública e da Segurança Alimentar (ENVI) com propostas de melhorias do plano da CE sobre a qualidade do ar, onde os eurodeputados defendem valores-limite e objectivos mais rigorosos para 2030 para vários poluentes, incluindo partículas (PM2,5, PM10), dióxido de azoto (NO2), dióxido de enxofre (SO2) e ozono (O3), em comparação com a proposta da Comissão.

O eurodeputado socialista Javi López, relator deste processo no Parlamento Europeu (e que vai liderar a delegação que vai negociar as propostas com o Conselho da UE e a Comissão Europeia) chama à poluição atmosférica uma “pandemia em câmara lenta”, sendo urgente “seguir a ciência e alinhar as nossas normas de qualidade do ar com as orientações da OMS e reforçar algumas das disposições da presente directiva”.

Falta de dados e de vontade

Apesar de o incumprimento não ter sido contestado pelo Governo português, o acórdão do TJUE admite que existem lacunas nas medições dos níveis de poluição do Porto e de Braga, algo que poderá ter acontecido por questões diversas, como a localização dos medidores ou até uma possível avaria.

Francisco Ferreira nota que, mesmo que se verifique que os níveis estão em ordem nestas zonas, “não há planos de melhoria da qualidade do ar nem programa de execução” nestes territórios, existindo apenas medidas dispersas, o que, por si só, mostra a falta de importância dada ao assunto.

Já em Lisboa o problema é mais conhecido, mais persistente e mais difícil de resolver, e nem o mote da Capital Verde Europeia 2020 foi suficiente para a transformação. Os níveis registados na Avenida da Liberdade, alerta Francisco Ferreira, “estão piores do que em 2020 e 2021”, que foram “os únicos anos em que, no limite, se respeitou o valor”. “É absolutamente escandaloso”, caracteriza o investigador da UNL.

Este deslize, diz, é “resultado de não haver consenso” sobre as medidas a tomar, com a autarquia a “não assumir as medidas que estão previstas”, como limitar os carros mais antigos e reduzir o tráfego, actualizando as Zonas de Emissão Reduzida. “Estamos mesmo a falhar em termos dessa concretização. As autarquias e Governo não estão a ter capacidade de resposta.”

O caminho, sublinha, não deve ser o de criar proibições sem uma estratégia, mas antes “repensar como é que deve ser o centro da cidade em termos de melhoria da qualidade de vida”.

“A oportunidade fantástica poderia ter sido a pandemia”, nota Francisco Ferreira. As pessoas comentavam como era “fantástico” ouvir os pássaros, não ouvir os carros, ter menos poluição. “Já esquecemos isto tudo”, lamenta, recordando notícias recentes que dão conta de que o consumo de combustíveis rodoviários em Maio cresceu 10% face ao período homólogo anterior, numa “tendência oposta ao que é necessário”.

A solução, defende, são “políticas de redução de emissões a sério” que limitem o uso do carro nos centros das cidades, algo que “começa a ser o grande objectivo de cidades médias e grandes”. Isto não é impossível: cidades como Utrecht, nos Países Baixos, só têm transportes públicos e bicicletas no centro. Mas isto passa por investimento público em transportes públicos de qualidade e por uma mudança quase cultural, já que “as pessoas amam o carro”, comenta Francisco Ferreira.

E terá que passar também por uma abordagem mais integrada, com políticas que combinem a redução das emissões de poluentes do ar ambiente, mas também do dióxido de carbono e outros gases que alimentam o aquecimento global — uma vez mais, voltamos à área dos transportes. “O sítio fundamental para aplicar estas medidas são as cidades.”

Morrer mais cedo por causa do ar que respiramos para viver


Todos os anos, cerca de 300 mil pessoas morrem prematuramente na União Europeia devido à poluição do ar, descrita como “o problema mais grave de saúde ambiental na UE” e causa de “danos significativos aos ecossistemas”. 

No relatório Impactos da Poluição Atmosférica na Europa, os valores para Portugal demonstram que em 2019 a exposição a partículas finas esteve associada a 4900 mortes prematuras; na exposição a NO2, o balanço é de 540 mortes prematuras; e sobre os danos causados pelo ozono (O3) as estimativas somam mais 270 mortes prematuras em Portugal em 2019.

No total, as mortes associadas a estes três poluentes em Portugal passaram de 5830 (em 2016) para 6020 (em 2018), mas agora terá sido possível inverter a anterior tendência de aumento com uma ligeira diminuição da estimativa para 5710 óbitos prematuros em 2019.

Os impactos da poluição atmosférica custam à sociedade europeia, todos os anos, entre 231 mil milhões e 853 mil milhões de euros, segundo dados da Comissão Europeia. 

Segundo a associação ambientalistas Zero, a poluição do ar em Portugal “é responsável pela morte prematura de cerca de 6000 pessoas todos os anos”, estando associada ao surgimento ou agravamento de doenças como acidentes vasculares cerebrais, problemas de coração, cancro do pulmão e doenças respiratórias.

Dados da Agência Europeia para o Meio Ambiente (AEA), divulgados em Abril deste ano, referem ainda que a poluição do ar causa mais de 1200 mortes prematuras anualmente em crianças e jovens menores de 18 anos na Europa. “Crianças e adolescentes são particularmente vulneráveis à poluição do ar porque os seus corpos, órgãos e sistemas imunológicos ainda estão em desenvolvimento”, alerta a AEA.

No estudo é referido que, embora o número de mortes nessa faixa etária seja relativamente baixo em comparação com outras, tal representa uma perda de potencial futuro e uma carga significativa de doenças crónicas, tanto na infância como posteriormente. As funções pulmonares das crianças e o desenvolvimento pulmonar são afectados principalmente pelo ozono e pelo dióxido de nitrogénio a curto prazo e por partículas finas transportadas pelo ar a longo prazo.

Por outro lado, a poluição do ar também explica o diagnóstico de uma fatia de casos de cancro de pulmão em não-fumadores, segundo um estudo recente publicado na Nature. A poluição do ar por partículas finas – presentes no fumo de escape dos automóveis e nos gases dos combustíveis fósseis – pode desencadear a proliferação de mutações preexistentes em células pulmonares, o que leva ao aumento da progressão do tumor, sugere o artigo do qual Charles Swanton é co-autor. Assim, não-fumadores que vivem em áreas muito poluídas têm maior probabilidade de desenvolver cancros de pulmão do que aqueles que habitam zonas com baixa poluição atmosférica.

Texto retirado de:
FLOR, Aline. Portugal condenado por estar dez anos sem travar poluição do ar. E as regras vão apertar. Azul: Público, 16.07.2023. Acedido em https://www.publico.pt/2023/07/16/azul/noticia/portugal-condenado-estar-dez-anos-travar-poluicao-ar-regras-vao-apertar-2056274?utm_source=notifications&utm_medium=web&utm_campaign=2056274 


quinta-feira, 13 de julho de 2023

Plano de Recuperação das Aprendizagens 21 | 23 Escola+: IV.º relatório de monitorização


Título: Plano 21|23 Escola+: quarto relatório de monitorização
Autores coletivos: Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, Divisão de Estatística do Ensino Básico e Secundário (DEEBS) Autores: Helena Saleiro (Apuramento de dados), Joaquim Santos e Helena Saleiro (Relatório), Nuno Neto Rodrigues e Filomena Oliveira (Direção)
Edição: Direção de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC)
Data: junho 2023
N.º páginas: 54 p, il.

A Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) disponibiliza o quarto relatório de monitorização do Plano de Recuperação das Aprendizagens 21|23 Escola + que, entre outros dados, integra:

  • O nível de adesão das ações específicas;
  • Os recursos e alunos envolvidos;
  • A perceção de cada agrupamento de escolas ou escola não agrupada sobre as ações específicas implementadas, no que respeita ao impacto no processo de recuperação das aprendizagens dos alunos.

Destaca-se nos dois anos letivos de vigência do Plano 21|23 Escola+, as ações específicas que obtiveram maior percentagem de implementação por parte dos AE/ENA foram: “Escola a Ler”, “Começar um Ciclo ou 1.º Ciclo e Novos Ciclos” e “Capacitar para Avaliar”.  

Clique na imagem para aceder ao relatório.

quarta-feira, 12 de julho de 2023

Milan Kundera (1929-2023)



“A história é tão leve quanto a vida do indivíduo, insustentavelmente leve, leve como uma pluma, como uma poeira que voa como uma coisa que vai desaparecer amanhã.”
(In "A insustentável leveza do ser)


Uma prova da presença viva de um escritor é o facto de ser reeditado. Aos 94 anos, Milan Kundera continuava a ver os seus livros publicados no mundo todo. No remoto Portugal, acaba de sair “Um Ocidente Sequestrado – Ou a Tragédia da Europa Central” (D. Quixote, editora de grande parte da sua obra por cá), artigo dado à estampa em “Le Débat”, em 1983, e de seguida traduzido para várias línguas. Ali, ele indagava: “O que é a Europa para um húngaro, um checo ou um polaco? Desde o começo que estas nações pertenciam à parte da Europa enraizada na cristandade romana. Participaram em todas as fases da sua História. A palavra ‘Europa’ não representa para elas um fenómeno geográfico mas sim uma noção espiritual que é sinónimo da palavra ‘Ocidente’. No momento em que a Hungria já não seja Europa, isto é, Ocidente, ela será ejetada para fora do seu próprio destino, para fora da sua própria História: ela perderá a essência mesma da sua identidade.”

Por várias razões, estas linhas possuem a marca da atualidade. Aos 94 anos, Kundera viu um pequeno opúsculo seu com mais de 30 anos de existência a ser republicado por fazer sentido nos dias de hoje. E aos 94 anos, doente há já muito tempo, morreu em Paris, a cidade que adotou. Não é mera coincidência: a obra sobrevive-lhe, e sobreviverá.

Milan Kundera era um escritor com aura. A sua “Insustentável Leveza do Ser”, cuja última edição por cá, com nova tradução, data de 2017, é talvez um daqueles casos em que o livro se torna por inteiro independente do seu autor, ganha poderes autónomos, uma vida própria para além dele. Foi adaptado ao cinema por Philip Kaufman, objeto de teses de doutoramento, longamente debatido, discutido e citado, e a sua história é não apenas a das suas personagens, mas a de um país e do seu destino. Originalmente publicado em 1984, trata-se do quinto romance de Kundera, que antes tinha escrito “A Brincadeira”, a sua estreia, em 1968, durante a Primavera de Praga, e proibida após a vitória das tropas soviéticas -, “A Vida não é Aqui” (1969), “A Valsa do Adeus” (1972) e “O Livro do Riso e do Esquecimento” (1979).

Nascido a 1 de abri de 1929 em Brno, então Checoslováquia, de pai musicólogo e pianista que ensinou música ao filho, estudou literatura e estética, e depois cinema em Praga, e cedo se filiou no Partido Comunista checo, sendo dele expulso em 1950 por ‘atividades antipartidárias’ - seria readmitido em 1956 e de novo expulso em 1970. Talvez por esta relação ambígua, entre a ilusão e a desilusão, com o partido que governava o seu país, ele tenha evitado imprimir um cunho ideológico na sua obra. Na verdade, classificá-la seria limitá-la. Os temas filosóficos mais amplos, concernentes à condição humana, interessavam Kundera mais do que a ideologia ou o realismo político. Ele próprio estabelecera qual era a sua linhagem literária, e esta vinha de longe, do Renascimento – Rabelais, Cervantes –, para desembocar em autores como Denis Diderot, Witold Gombrowicz, os vienenses Robert Musil e Hermann Broch, Martin Heidegger e Franz Kafka, seu conterrâneo.

Professor na cidade onde se formou, Praga, lecionando História do Cinema na Academia de Música e Arte Dramática e no Instituto de Estudos Cinematográficos, após 1968 e a restituição violenta do poder por parte dos soviéticos acabaria por se exilar em França em 1975. Seria a sua pátria de adoção, onde, durante alguns anos, foi docente na Universidade de Rennes, e onde passaria a ser cidadão nacional em 1981, dois anos depois de o seu país de origem lhe retirar a nacionalidade – em 2019, quarenta anos depois, a República Checa devolveu-lha, tinha ele 90 anos. 

Nos anos 1990, Kundera publicou “A Imortalidade” (último romance escrito em checo) e “A Identidade”, e em 2000 “A Ignorância”. O último livro seria “A Festa da Insignificância”, de 2014, e sua receção foi, como escreve o “The New York Times”, “morna na melhor das hipóteses”, suscitando em geral críticas negativas. Michiko Kakutani, famosa crítica de literatura daquele jornal, disse que o livro era “uma piada consciente e antecipatória da sua própria superficialidade”. 

Kundera já não era o mesmo, embora na verdade o fosse – poucos são os escritores que mantêm a qualidade literária intacta até ao fim. Era e sempre seria o Kundera dos livros anteriores, que numa entrevista dada à “Paris Review” em 1983, pouco tempo depois do lançamento de ”A Insustentável Leveza do Ser”, disse que “para fazer do romance uma iluminação ‘poli-histórica’ da existência, é preciso dominar a técnica da elipse, a arte da condensação. Caso contrário, cai-se na armadilha da extensão infinita”. 

E acrescentou, falando do fio que liga os seus romances: “Se eu tivesse escrito sete romances independentes, teria perdido o mais importante. Não teria sido capaz de captar a ‘complexidade da existência humana no mundo moderno’ num único livro. A arte da elipse é absolutamente essencial. Exige que se vá sempre diretamente ao cerne das coisas. A este respeito, penso sempre num compositor checo que admiro apaixonadamente desde a infância: Leoš Janácek”. Como ele, o propósito de Kundera era “livrar o romance do automatismo da técnica”. Além dos romances, da sua produção constam dez livros de ensaios e quatro peças de teatro. 

Milan Kundera recebeu vários prémios, entre os quais o Médicis (1973), o Mondello (1978), o Common Wealth (1981), o Jerusalém (1985) e o Independent de Literatura Estrangeira (1991) e Ovid (2011). Em 2020, foi-lhe outorgado o Prémio Kafka. Embora até haja um asteroide – o 7390 Kundera – nomeado em sua homenagem, não venceu o Prémio Nobel da Literatura - foi um dos seus eternos candidatos. Por outro lado, em 2008, recebeu o apoio de onze importantes escritores – como Gabriel García Márquez, J.M. Coetzee, Nadine Gordimer e Orhan Pamuk – na sequência de uma notícia saída no semanário checo “Respekt” segundo a qual ele teria na juventude denunciado um desertor do regime comunista à política secreta, o que Kundera negou. Um ano depois, ele assinou a petição de apoio ao realizador Roman Polanski. 

Para Kundera, a arte era um lugar de questionamento, separado da vida quotidiana. Como ele próprio contou num texto publicado em 1988 no “NYT”, intitulado “Palavras-chave, palavras problemáticas, palavras que amo”: “Há cinco anos, um tradutor escandinavo confessou-me que o seu editor tinha hesitado seriamente em avançar com ‘A Valsa do Adeus’: ‘Toda a gente aqui é de esquerda. Não gostam da sua mensagem.’ ‘Que mensagem?’ ‘Não é um romance contra o aborto?’ Claro que não. No fundo, não só sou a favor do aborto, como sou a favor da sua obrigatoriedade! Mesmo assim, fiquei muito contente com este mal-entendido. Tinha sido bem-sucedido como romancista. Consegui manter a ambiguidade moral da situação. Tinha-me mantido fiel à essência do romance como arte: a ironia. E a ironia está-se nas tintas para as mensagens.” 

📌Disponíveis na biblioteca os seguintes livros deste conceituado escritor:

  • "A brincadeira"

  • "A insustentável leveza do ser"

  • "O livro do riso e do esquecimento"

Texto retirado de:

quarta-feira, 5 de julho de 2023

Festival ao Largo 2023


O Festival ao Largo está de volta ao Largo de São Carlos, de 6 a 27 de julho, para celebrar a música e a dança.

Celebrar-se-á a vida de grandes compositores, como Johannes Brahms, George Gershwin ou Kurt Weil, mas também as canções de grandes divas, como Edith Piaf ou Marlene Dietrich. O tango, o fado, as canções afegãs e a música de grandes filmes serão também relembradas. 

Destacamos igualmente a dança, este ano com as criações de coreógrafos de renome internacionais. A insubstituíveis clássicos, alia-se o que de mais contemporâneo se faz na nossa cultura.

A direção artística desta 15.ª edição fica a cargo de Elisabete Matos (Teatro Nacional de São Carlos), Carlos Prado (Companhia Nacional de Bailado) e Rui Lopes Graça (Estúdios Victor Córdon).

Não perca!

terça-feira, 4 de julho de 2023

Mário Henrique Leiria (1923-1980)

 MOSTRA

Continuo a ser aquilo que ninguém espera




A mostra - Continuo a ser aquilo que ninguém espera - assinala o centenário do nascimento de Mário Henrique Leiria (1923 –1980) destacando a diversidade da sua produção e partindo das suas próprias palavras e traço.

Pintar, desenhar, agatanhar ideias e procurar coisas introduz este universo pela mão do próprio, através do traço de Auto-retrato e da palavra registada na nota biográfica em carta a Hélia de Medeiros e Joachin Peters. A partir daí vão surgindo composições ficcionais de genologia diversa, em simultâneo com a teorização do pensamento estético patente no 1.º Manifesto do Sobreporismo. Assim se abre caminho à aproximação das Actividades da movimentação surrealista em Portugal, dado que o autor se considera um surrealista anterior a qualquer aparecimento de grupos mais ou menos surrealistas surrealizantes ou surrealistas mesmo (carta a Mário Cesariny e aos outros). A sua produção neste contexto integra Cadavres-exquis com Carlos Calvet e diálogos automáticos, bem como o 1.º Manifesto da Rua da Escola «contra as aves de capoeira» redigido por Mario Henrique com o acôrdo de mais cinco ou registos fotográficos da 1.ª Exposição dos Surrealistas.

O núcleo A chateação continua – porque objectos, colagens, escrita automática, desenhos em estado de libertação, poemas, não-poemas, etc. são mais reais, muito mais absolutamente reais do que qualquer forma exclusivamente plástica (carta a Mário Cesariny e aos outros) – mostra a coabitação entre linguagem plástica e verbal na obra de Leiria. Isto se verifica através da composição de colagens ou desenhos juntamente com recurso à palavra, por vezes tornando-os num só traço - como em Maternidade; ou na produção de composições híbridas, apesar da presença assídua da poesia, como Pas pour les parents, Climas ortopédicos ou Claridade dada pelo tempo.

Pois claro que ainda não morri dá conta do período em que Leiria esteve casado (1958-61) e permaneceu no Brasil. Regressado em 1970, só em 1973 vê os Contos do gin-tonic publicados. A este propósito lê-se em carta conservada no seu espólio: entretanto aconteceu-me uma treta: uma editora (a Estampa) pegou-me num monte de papéis e zás, publicou-me um livro (contos amargos, brutais, cruéis, trocistas, avacalhadores, sei lá) (carta a Abílio – E22/96). Seguem-se Novos contos do gin, republicado em 1978 com o acrescento das Fábulas do próximo futuro registando nesta edição a advertência ao leitor: espera o autor, convicto, que as Fábulas fiquem apenas por fábulas. No entanto, está a pau. Não desiste. Sempre a pau. Estas fábulas vão surgindo dispersas, até então, em jornais («Pé de Cabra», «O Coiso»). Imagem devolvida: poema-mito e Conto de Natal para crianças são publicados em 1975. No ano seguinte, Casos de direito galático. O mundo inquietante de Josela: fragmentos foi publicado, com ilustrações de Cruzeiro Seixas e, em 1979, Lisboa ao voo do pássaro, em co-autoria com João Freire.

Mário Henrique Leiria autodefine-se como um resto definitivamente avariado de homem em zanga permanente, com um riso discretamente amargo de vez em quando e um olho sempre disposto à troça solitária (carta a Luís Amaro) que tem escritos vários acumulados por todos os cantos mas, com grande desgosto da dignidade oficial, não é nada que se preste a tornar os homens mais felizes e mais gordos (carta a Mário Cesariny). Não obstante, o autor destas afirmações revestidas de ironia ácida é o mesmo que faz conviver sob o teto da sua obra o poético dos versos:

deixa que eu fique
muito afastado
silencioso e único
no alto daquela nuvem
que escolhi
ainda antes de existir.
continuando, assim, a ser aquilo que ninguém espera.

Nota biográfica:

Mário Henrique Baptista Leiria (1923 –1980) nasceu a 2 de janeiro de 1923 em Lisboa, filho de Hilda Rocha Baptista Leiria e Mário Leiria. Estudou arquitetura na Faculdade de Belas Artes de onde foi expulso em 1942. 

Com 24 anos, em 1947, expôs as suas composições com Jorge Brandeiro e Nuno Costa na Galeria Instanta. Entre 1947 e 1948 passou por Paris, como comprova a menção de local em alguns desenhos no seu espólio. Alguns deles parecem constituir ensaios para Autoretrato, de 1949, ano em que colaborou na 1ª Exposição dos Surrealistas. Até participar, em 1950, na II Exposição do Grupo Os Surrealistas na Livraria Bibliófila, leciona no Colégio Estremocence. Em 1951 redigiu, juntamente com Cesariny, a folha volante Para bem esclarecer as gentes que ainda estão à espera… Um ano depois, em 1952, através de um Comunicado, expressa a vontade de se separar da palavra surrealista tendo sido, entretanto, apreendido pela PIDE por um curto período.

Na década de 50, Mário Henrique Leiria efetuou uma série de viagens pela Europa e URSS e iniciou a atividade de tradutor tendo dirigido, com Carlos Eurico da Costa, a coleção de ficção científica Escalas do Futuro da Europa-América. Enquanto tradutor utiliza o pseudónimo Alexandre Kleist ou Alexandre S. Kleist, nomeadamente para as obras de Maksim Gorki (pseud.). Após o divórcio de Dietlinde von Hartel (Fipsy), com quem casara em 1958, vai para o Brasil onde se fixou até 1970, ano do regresso a Portugal zangado – e ainda [com] dois dedos que mexem: o indicador direito, o do gatilho, e o esquerdo, o do nariz (carta a Abílio)

Na última década da sua vida, Mário Henrique operou, sobretudo na plataforma periodística, por vezes, sob os pseudónimos Wilson Gazoza e Vovô Gazoza, colaborando nos jornais «República», «O Coiso», «Pé de Cabra» e «Aqui», chegando a dirigir este último. N’«O Coiso» publicou a rubrica culinária O Coizinheiro, coadunando-se com o humor negro da primeira coletânea publicada em 1973: Contos do gin-tonic (Lisboa: Estampa), sendo também a capa da sua autoria.

Apesar da obra pouco extensa e dispersa, Mário Henrique foi um artista que tentou escapar a rótulos. A hibridez existente entre realidade e ficção quase compõe uma biografia fictícia e, por isso, é através das suas palavras que melhor se define, bem como ao universo no qual se insere. É através de um percurso de um lado para o outro onde realidade e ficção se misturam dando lugar à construção de uma figura ímpar, que o autor revela várias profissões exercidas: marinha mercante, caixeiro de praça, operário metalúrgico, / construção civil (não, não era arquitecto, carregava tijolo), […] planejador de stands para exposições, encenador de teatro e até director literário de uma editora. Pintor de uns obscuros quadros cheios de bicos e berros de cor, escritor - vago de uns ainda mais vagos contos […] poeta de abstractas poesias surrealistas, incompreensíveis (Um caso sentimental. E22/58).
(BNP)


Local: Biblioteca Nacional de Portugal | Sala de referência - Piso 1

Data: Até 18 de Agosto de 2023

Horário: Dias úteis das 09H30 às 17H30

Entrada livre